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Tempo de Bossa

Fernanda Takai, Marcos Valle e Roberto Menescal resgatam o gênero

Paulo Cavalcanti Publicado em 18/04/2018, às 23h56 - Atualizado em 19/04/2018, às 00h21

Trio Suave
Fernanda, Valle e Menescal repensando os caminhos para a bossa nova
Pedro Hansen/ Divulgação

Um dos mais tradicionais gêneros da música brasileira, a bossa nova segue renovada em O Tom da Takai. Como já fica claro no título, o disco tem como estrela a cantora Fernanda Takai, que conta com o auxílio de Marcos Valle e Roberto Menescal, responsável pelos arranjos e a produção. Valle também canta em três faixas. Trata-se de um songbook reunindo dez canções de Tom Jobim. O diferencial é que a seleção foge de standards, como “Garota de Ipanema”, partindo para o lado B do cancioneiro de Jobim, com um repertório que inclui as pouco conhecidas “Aula de Matemática”, “Outra Vez”, “The Red Blouse”, entre outras.

Os arranjos também procuram soar diferente do que foi feito antes no espectro sonoro do estilo. Marcos Valle conta como tudo começou: “No fim do ano passado, nós três participamos de um projeto que celebrava os 80 anos do Menescal. No hotel, após as apresentações, enquanto tomava vinho, Menescal teve a ideia de transformar nossa união em disco. Falei que assinava embaixo”. Menescal completa o raciocínio do amigo: “Mandamos a sugestão para a Deck e, depois de aprovada, fechamos o repertório. Todo mundo sugeriu, mas boa parte veio da minha cabeça, coisas do Jobim de que eu lembrava da época. Nisso, eu e o Marcos nos empenhamos para mudar a levada das canções”. Fernanda Takai diz que trabalhar com a dupla Valle/Menescal foi uma grande satisfação e que cantar bossa nova foi uma volta ao passado. “No começo, eu só ouvia rock inglês. Mas também comecei a prestar atenção nos vinis de bossa nova dos meus pais e me identifiquei com o estilo. Ele abre inúmeras possibilidades para quem quer começar a cantar.” Para ela, se unir a tantos mestres foi um belo aprendizado. “Quanto se trata de bossa, eles colocaram os ovos em pé. Neste disco, o mais importante é que cada um coloca o seu DNA musical.” Marcos Valle elogia a colega: “A voz dela tem a levada do pop rock. Enxergamos na Fernanda uma personalidade que fugia do lugar-comum para reviver estas canções”.