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Novo filme de Heitor Dhalia, Tungstênio explora a delicadeza e a tensão nas relações humanas

Longa é baseado na história em quadrinhos homônima de Marcello Quintanilha, que também é um dos roteiristas da adaptação

Caio Delcolli Publicado em 19/06/2018, às 18h34

Unindo as Mídias
Quintanilha e Dhalia trabalhando para levar aos cinemas Tungstênio, estrelado por Fabrício Boliveira
Divulgação

Tungstênio é um metal Excepcionalmente duro e resistente à corrosão – e é também o título do novo longa-metragem de Heitor Dhalia (À Deriva e O Cheiro do Ralo). Baseado na história em quadrinhos homônima de Marcello Quintanilha, que também é um dos roteiristas da adaptação, Tungstênio traz personagens com os nervos à flor da pele. Segundo o diretor, é um retrato do atual estado de ânimo dos brasileiros e do cenário político caótico.

“Às vezes, sem querer, você captura o espírito do tempo com um filme”, diz. “Ele mostra uma situação em que há o completo esgarçamento de tudo e a exclusão social toma conta.” A fala do cineasta pernambucano refere-se não apenas ao tom da obra, mas também ao enredo, que se desdobra entre diferentes linhas narrativas simultâneas com pontos de intersecção, tudo ambientado na periferia de Salvador. O policial Richard (Fabrício Boliveira) tenta flagrar dois homens que pescam jogando bombas no mar; a esposa dele, Keira (Samira Carvalho), está prestes a deixá-lo, pois Richard é abusivo; e o ex-militar Ney (José Dumont), saudoso da ditadura, pede ao traficante Caju (Wesley Guimarães) que faça algo para impedir os criminosos.

“Estamos em estado de extrema violência e medo, e o filme fala sobre como lidamos com isso”, conta Boliveira, que adora a HQ de Quintanilha e diz ter aceitado o papel intuitivamente. “É também uma lente de aumento sobre um grupo social que se vê, geralmente, de uma forma bastante estereotipada. Os negros são mais de metade da população do Brasil e também têm voz, escolhas.”

Para além de um retrato político-social, defende Quintanilha, Tungstênio mostra o interesse dele pela natureza humana, como reagimos ao “metal que as situações da vida nos impõem”. “As relações humanas estão sempre permeadas pela tensão e, por mais que isso seja desagradável, é a minha principal motivação”, diz o autor. Daí a metáfora do título. “É sobre como os personagens vão lidar com isso, como vão encontrar mecanismos para contornar esse metal que está na teia de relacionamentos da história.”