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Illy cruza fronteiras com leveza no álbum de estreia, Voo Longe

Mauro Ferreira Publicado em 21/06/2018, às 19h28 - Atualizado às 19h29

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Illy chamou atenção e conquistou vários conterrâneos, como Gal Costa e Caetano Veloso
Divulgação

Illy Gouveia já puxou trio elétrico no interior de Minas Gerais e já foi vocalista de banda de axé, a Rosa Choque, que integrou quando tinha 17 anos. Agora, depois de abrir para Gal Costa e Djavan e ter emplacado uma canção na trilha da novela da Globo Sol Nascente (“Só Eu e Você”), a história dessa cantora baiana nascida em Salvador há 30 anos está refletida nas escalas de Voo Longe, primeiro álbum da artista, que assina como Illy. O repertório do disco inclui o ijexá “Afrouxa” e a marcha-frevo “Fama de Fácil”, composta pelo conterrâneo Luciano Salvador Bahia e com ecos dos tempos em que Caetano Veloso ia atrás dos trios. Contudo, o álbum extrapola as fronteiras baianas, cruzando também os céus musicais do Rio de Janeiro, cidade para onde Illy migrou há três anos.

“Eu não sou compositora. Sou intérprete. Minha função é ir atrás dos compositores”, entende ela. Foi correndo atrás de repertório que, instalada no Rio no mesmo prédio em que morava o compositor e violonista baiano Cezar Mendes, Illy acabou encontrando profissionais que a levaram a Alexandre Kassin, produtor do disco.

Fruto de contatos e amigos novos e antigos, Voo Longe pousou nas plataformas digitais em abril. O álbum é leve e contemporâneo, mistura baladas românticas, como a já citada e irresistível “Só Eu e Você” (de Chico César), a levadas afro-brasileiras. É o que Illy conceitua como “repertório de vida”, parcialmente garimpado entre a produção autoral do grupo baiano Confraria da Bazófia. É desse extinto coletivo que vêm músicas como o zouk “Ela” (de Arnaldo Almeida) e “Olhar Pidão”, composição da lavra de Ray Gouveia, tio de Illy. “Cresci ouvindo e cantando essas músicas. Vi algumas delas ficarem prontas”, relata.

No show, Illy vai além e adiciona ao repertório um pagode famoso na voz do cantor Belo (“Desafio”), um reggae do conterrâneo Edson Gomes (“Árvore”) e um samba-canção lançado por Angela Maria (“Vida de Bailarina”). “Abro e fecho o álbum com a Bahia. Mas, no meio, tem toda a minha história entre Rio e Bahia”, diz Illy, pronta para decolar para voos mais altos.