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Jogo combina música e o bom e velho Tetris em realidade virtual

Gus Lanzetta Publicado em 06/07/2018, às 08h48 - Atualizado às 08h53

Criatura e Criador
Uma tela do Tetris turbinado, que nasceu da mente de Mizuguchi
Divulgação

O Tetris é um capítulo à parte na história dos videogames. Com regras quase instintivas, a essência do mecanismo do game destila aquilo que faz com que um jogo seja considerado um jogo: regra e objetivo. E o efeito que ele provoca no nosso cérebro é tão intenso – uma sensação de hipnose, um estado de flow – que os estudiosos batizaram essa reação (provocada também por outros games) de “Tetris Effect” (ou “efeito Tetris”, em português). Não por acaso, esse é também o nome do novo jogo criado por Tetsuya Mizuguchi.

Mizuguchi é muito conhecido por misturar música e interatividade dos videogames. Ele já combinou jogabilidade rítmica com puzzles em Lumines, jogo de 2004, feito quando ele começou a pensar como o Tetris poderia se beneficiar de elementos musicais. Também criou um sucesso cult, Rez, de 2001, que foi relançado diversas vezes. Ainda assim, não foi fácil mexer em algo tão clássico quanto Tetris. “Tínhamos uma grande pressão em cima da gente, mas eu tinha confiança de que íamos conseguir”, ri o designer japonês durante entrevista realizada na E3, em Los Angeles.

Tetris Effect, título que sairá para PlayStation 4 e PC no segundo semestre de 2018, traz um novo elemento ao game design de Tetris, o chamado The Zone. Trata-se de um poder especial que, quando usado, pausa o tempo para que o jogador possa apagar várias linhas de uma só vez. É uma artimanha incrivelmente satisfatória e que não atrapalha em nada a essência do jogo. As músicas techno de que Mizuguchi tanto gosta estão de volta aqui, e acompanhadas de um visual que lembra um pouco a temática espacial da Area X, criada por ele para Rez e Child of Eden (2017). Ele chama essas faixas de “zen”, mas só mesmo nesse contexto é possível classificar aquelas batidas como relaxantes – ali elas te deixam incrivelmente imerso no jogo. Para quem gosta de videogame, empilhar tetraminos pode ser uma boa alternativa à meditação.

Para que o processo de imersão seja ainda mais vigoroso existem também os óculos de realidade virtual PlayStation VR, artefato que Mizuguchi já colocou em uso quando atualizou Rez em Rez Infinite. “Eu acho que sou um tecnólogo”, diz ele, que também é CEO da empresa que distribui o jogo, a Enhance Games, ao refletir sobre sua afeição por esse tipo de acessório. “Meu objetivo é descobrir como podemos combinar muitos elementos no game design e tornar a experiência mais emotiva. Mesmo que seja em um puzzle.”