A Morte de um Revolucionário

Mente por trás de inovações como o iPod, Steve Jobs transformou o modo como lidamos com a tecnologia

James Sullivan Publicado em 18/10/2011, às 17h50 - Atualizado em 25/11/2011, às 12h26

DA VINCI MODERNO Jobs em 2009, quando ainda não havia se afastado da Apple.
JUSTIN SULLIVAN/GETTYIMAGES

Steve Jobs, o visionário tecnológico que ajudou a mudar a maneira como o mundo se comunica e compartilha informação com produtos inovadores – como o computador Macintosh, o iPod e o iPhone –, morreu no dia 6 de outubro, depois de uma longa batalha contra um câncer pancreático. Ele tinha 56 anos.

Jobs foi cofundador da Apple Inc. no fim dos anos 70 com Steve Wozniak, outro prodígio da computação que ele conheceu enquanto trabalhava na Hewlett-Packard. Depois de revolucionar o computador pessoal com a introdução do primeiro Macintosh PC, em 1984, Jobs saiu da Apple em uma briga pelo poder da companhia no ano seguinte. Durante seu hiato forçado, fundou a NeXT Computer, que a Apple viria a comprar em 1996, trazendo o inventor dissidente de volta à equipe. Jobs atuou como CEO da Apple até 2011, um período em que a companhia introduziu uma longa sequência de produtos revolucionários, incluindo o iPod, a loja de música digital iTunes, o iPhone e o tablet iPad.

Nascido em São Francisco (Califórnia), em 1955, e criado por uma família adotiva, Jobs foi uma das figuras mais proeminentes e influentes a despontar da geração dos anos 60 e 70. Estudou budismo e considerava o uso de LSD uma das experiências mais significativas de sua vida. Certa vez disse ao programa de TV 60 Minutes que seu modelo de negócios era baseado nos Beatles e tornou-se facilmente reconhecido (e parodiado) pelo visual que era sua marca registrada – jeans Levis desbotados, camiseta preta de manga longa e gola alta e tênis de corrida. Além do trabalho na Apple, Jobs foi fundamental na criação da Pixar, companhia de cinema que produziu clássicos da animação como Toy Story, Procurando Nemo e WALL-E. A compra que Jobs fez de uma divisão de computação gráfica da Lucasfilms levou ao desenvolvimento da aclamada equipe de animação.

O status de Jobs como vanguardista da tecnologia lhe deu fama, riqueza e poder. Em 2010, a revista Forbes estimou seu valor em mais de US$ 8 bilhões. Além de mais de cinco milhões de ações da Apple, ele ainda possuía 138 milhões de ações da Disney, que recebeu quando a companhia comprou a Pixar, em 2006.

Steve Jobs lutava contra problemas de saúde havia vários anos. Em 2004, foi diagnosticado com uma forma rara de câncer pancreático; cinco anos depois, passou por um transplante de fígado. Ele deixou o posto de comandante principal da Apple em agosto de 2011, declarando que “não podia mais corresponder a [suas] funções e expectativas” no cargo. Jobs deixa a esposa, Laurence Powell, quatro filhos, incluindo um de um relacionamento anterior, e sua irmã biológica, a escritora Mona Simpson.