O Combustível do Cantor

Ganhando o público com shows intensos, o gaúcho Filipe Catto acaba de lançar seu primeiro álbum

Marcelo Ferla Publicado em 18/10/2011, às 17h35 - Atualizado em 25/11/2011, às 12h25

AGUDOS Filipe Catto enaltece Ney Matogrosso, mas rejeita comparações
CAROLINE BITTENCOURT/DIVULGAÇÃO

A música de Filipe Catto é movimento: vem da infância em Porto Alegre, dos tempos em que acompanhava o pai em casamentos e formaturas; de quando ganhou os bares noturnos da cidade como vocalista de banda de rock cover; de quando ele fez escala em Nova York, por oito meses, e desembarcou novamente na boemia gaúcha, em versão solo e com composições próprias. Radicado hoje em São Paulo, Filipe agora se prepara para fazer escala nacional. É hora de lançar o álbum Fôlego. “Será a partir de novembro ou dezembro. Quero me dedicar à concepção do show com calma”, conta o crooner de 23 anos. “Meu negócio é o palco, então quero poder fazer algo bem bacana.”

Além do palco, o negócio de Catto sempre teve a ver com os sons de Elis Regina, Janis Joplin e Joe Cocker, com as letras de Caio Fernando Abreu e Hilda Hirst, e mais tarde acrescentou a força poética e musical de PJ Harvey e Cat Power. Em 2008, ele lançou o EP Saga e disseminou pela rede e por algumas rádios seu registro vocal impressionante, de contratenor. Logo começou a ser comparado a Ney Matogrosso. “Sou comparado com muita gente, mas isso é normal neste momento”, argumenta. “As pessoas precisam de um referencial e calhou de ele ser o mais próximo por causa do registro de voz, mas minha busca é completamente diferente, tenho outras questões, abordagem e repertório. Ney é único, tem uma atitude e um conceito tão autênticos que seria patético qualquer artista tentar se colocar nesse lugar.”

Filipe Catto concebeu em cena o álbum Fôlego, produzido por Dadi e Paul Ralphes. “O disco foi resultado de um ano no palco, tocando esse repertório, e foi gravado ao vivo para que essa fagulha não se perdesse”, ele explica. “Desde o início, minha única preocupação foi alcançar uma sonoridade quente, vibrante, o mais fiel possível ao que faço no palco, porque é lá que eu existo de fato e me reconheço. Fôlego é o combustível do cantor.”

O repertório de Fôlego foi sendo gerado à medida que as músicas eram testadas nos shows, e mixa releituras de Zé Ramalho (“Ave de Prata”), Nei Lisboa (“Rima Rica/ Frase Feita”) e Cachorro Grande (“Dia Perfeito”) às composições de Catto, antigas, como “Saga” e “Crime Passional”, e novas, como Adoração”. Além de cantar muito bem e da presença cênica marcante, ele compõe com estilo. Mas tanto faz se interpreta canções próprias ou de outros autores: “Gosto de cantar músicas que tenham a ver comigo, com meu discurso e com o que eu estou sentindo, e algumas músicas de outros compositores podem me dizer muito mais coisas do que as minhas”.