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Exorcizando Amores Inacabados

O paulistano Pélico transforma em canções a frustração de um relacionamento amoroso mal resolvido

Leonardo Dias Pereira Publicado em 10/11/2011, às 13h42 - Atualizado em 15/12/2011, às 19h24

INSPIRAÇÃO O amor, os vizinhos e Buenos Aires influenciam Pélico
THEO CRAVEIRO/DIVULGAÇÃO

Está longe de ser uma daquelas verdades universais inquestionáveis, mas por trás de um disco de canções passionais há sempre a sombra de relacionamento amoroso. E o cantor e compositor paulistano Pélico não foi exceção dessa “não regra” quando dissolveu um relacionamento de cinco anos e catalisou toda a raiva e frustração em seu segundo álbum, Que Isso Fique entre Nós. “A minha separação foi daquelas bem clichê, de o cara encontrar todos os pertences pessoais na porta ao chegar em casa”, ele relembra. “E depois de dois anos da separação me vi pensando meio que obsessivamente no que tinha acontecido. Pensei em ligar pra falar um monte ou então mandar uma carta, mas achei melhor colocar tudo nas músicas. ‘Recado’ e ‘Não Éramos Tão Assim’ são as que melhor retratam esse período.”

Só que o trabalho de Pélico é mais amplo, mirando em um amor mais amplo. “O universo das relações amorosas é algo que me move muito e ocupa 80% do disco”, ele explica. “Cantar o amor é uma coisa tão batida e sempre será, e também não tenho a pretensão de reinventar nada. Acho que a única forma de fugir disso é falar com o máximo de sinceridade da sua experiência e tentar transformar tudo em canções.”

Com alguns esboços debaixo do braço, Pélico enfiou o violão e os caderninhos na mala no começo de 2010 e partiu para uma viagem por capitais da América do Sul, como Buenos Aires, Montevidéu e Santiago. Mas foi o verão argentino que injetou sangue na sua veia de compositor. “A ideia era rodar pelas capitais, mas quando vi estava compondo sem parar em Buenos Aires e fiquei por lá uns 40 dias.” Dessa temporada nasceu boa parte do repertório de Que Isso Fique entre Nós, disco que marca uma ruptura na estética rock predominante no debute, O Último Dia de um Homem sem Juízo (2008), com canções mais delicadas e adornadas por instrumentos sofisticados, como tuba, clarinete, trompete, fagote e acordeom.

A mudança no registro vocal de Pélico, suave e cantado, também é perceptível, mas esse fato foi decorrência de uma situação cotidiana inerente à vida em uma metrópole como São Paulo, tão corriqueira como amores inacabados: “Atualmente moro em um apartamento que vaza muito o som dos vizinhos, inclusive o meu. Certo dia tinha uma plaquinha no hall escrito: ‘Por favor, depois das 22h abaixe o som e não toque violão’. Tive que me conter mais enquanto compunha, por isso da estética mais calma das músicas”, ele brinca.