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O Possível Retorno do Beach Boys

Lançamento do álbum Smile aumenta a chance de uma turnê de reunião com os integrantes sobreviventes

Patrick Doyle Publicado em 10/11/2011, às 13h27 - Atualizado em 15/12/2011, às 19h12

NO AUGE O Beach Boys, na época do lendário Smile, que sai agora
Divulgação

No gigante estúdio a da capitol Records, em Los Angeles, em meados deste ano, os Beach Boys sobreviventes – Brian Wilson, Mike Love, Al Jardine e Bruce Johnston – ficaram em volta de um microfone e, pela primeira vez em duas décadas, fizeram a harmonia em uma faixa. A música era, apropriadamente, uma regravação do sucesso dançante de 1968 “Do It Again”. “Até os engenheiros de som veteranos ficaram emocionados”, conta Jardine. “Nem todos estamos aqui, mas há gente suficiente para que essa vibração apareça.”

“O título da música [fazer de novo] tem implicações muito firmes, não?”, diz Love. “O Brian me perguntou: ‘Como alguém de 70 anos soa tão bem?’” Depois de resolver décadas de difíceis batalhas judiciais, a banda está se reunindo para comemorar seu 50º aniversário em grande estilo, com lançamentos de material de arquivo, incluindo as sessões de Smile (neste mês). A sessão de “Do It Again” foi filmada como um vídeo promocional para uma provável turnê mundial no ano que vem. “Talvez façamos 50 anfiteatros aqui e 50 ou 60 no exterior”, diz Jardine.

“Será quando os compradores acharem o melhor momento para nós. Estamos abertos a isso.” Ironicamente, foi a gravação de Smile, nos anos 60, que causou conflitos entre os membros da banda.

A confiança de Wilson começou a ruir em novembro de 1966, quando ele tocou algumas faixas para os outros Beach Boys depois de voltarem para casa após uma longa turnê. “Mike perguntou: ‘O que é esta porcaria?”, conta Wilson, “todos esses trechinhos?” (Love tem uma lembrança diferente: “Não é verdade. Seu trabalho ali era fantástico, mas não senti conexão com as letras.”)

O disco acabou não sendo lançado. “Não acharam comercial o suficiente, diz Wilson. Ele se tornou um recluso, lutando contra problemas mentais nas décadas seguintes, e o restante da banda se tornou um grupo de nostalgia. Inúmeros processos começaram, incluindo de Love contra Wilson por créditos de composição e Jardine, pelo uso do nome Beach Boys.

Wilson finalmente concluiu Smile em 2003, regravando músicas com sua banda de turnê e o lançando como um álbum solo. Agora, as sessões originais dos Beach Boys serão lançadas em um pacote de cinco discos. Sob supervisão de Wilson, os engenheiros Mark Linett e Alan Boyd esquadrinharam dezenas de horas de fita, aproveitando as melhores tomadas vocais e instrumentais. O resultado é um álbum editado e seqüenciado que reconstrói como o Smile original teria soado. “Acho que cinco CDs é muita coisa”, diz Love, “mas, para colecionadores aficionados de música, é um ótimo álbum para ter”.

Love fica mais empolgado ao discutir o futuro da banda: diz que está conversando com Wilson sobre compor músicas juntos novamente. O veterano de sessões dos Beach Boys, Eddie Bayers, diz que recentemente tocou bateria em novas faixas de Wilson voltadas para um disco de reunião dos Beach Boys. “As novas criações de Brian são simplesmente incríveis”, afirma Bayers.

No entanto, nem todas as feridas sararam – em uma entrevista recente, Wilson soou ambivalente sobre uma reunião. Questionado sobre estar ansioso pelo aniversário, responde: “Não particularmente”, acrescentando: “Não gosto muito de trabalhar com eles, mas tudo depende de como nos sentimos e quanto dinheiro está envolvido. Dinheiro não é o único motivo pelo qual fiz discos, mas tem um lugar em nossa vida.”