Pulse

Radiohead se Recarrega

A banda se prepara para 2012. Mais: um álbum do Atoms for Peace?

David Frick Publicado em 10/11/2011, às 13h18 - Atualizado em 15/12/2011, às 18h12

ENERGIA Thom Yorke durante o show do Radiohead no Roseland, em Nova York, em setembro
MICHAEL JURICK

“Este é um bom sucesso”, diz o vocalista Thom Yorke, com voz baixa, um dia antes do show do Radiohead no Roseland Ballroom, em 28 de setembro, em Nova York. Ele está sentado no lobby de um hotel, tomando chá e falando animadamente sobre a atual blitz promocional da banda para seu mais recente álbum, The King of Limbs. Quando o disco saiu como download em fevereiro, o Radiohead – uma banda independente desde que encerrou o contrato com a EMI, em 2003 – não fez shows nem deu entrevistas longas. “Foi bom não fazer nada disso”, afirma Yorke. “Mas, depois de um tempo, pensamos: ‘Espera aí, talvez seja bom fazer algo’. E agora descobrimos como tocá-lo ao vivo” – referindo-se ao rico emaranhado de samples, loops de bateria e devaneios vocais vítreos do álbum – “isso cria uma energia que queremos perseguir. Você quer mostrar isso”.

A viagem do Radiohead para Nova York incluiu aparições nos programas de TV Saturday Night Live, Late Night with Jimmy Fallon e uma edição especial de uma hora do The Colbert Report, durante a qual o normalmente tímido Yorke se divertiu revidando as tiradas do apresentador. No Roseland, o Radiohead deu uma prévia espetacular da nova formação de seis membros – com o segundo baterista Clive Deamer, do Portishead – e da grande turnê planejada para 2012. Yorke, o baixista Colin Greenwood, o baterista Phil Selway e os guitarristas Ed O’Brien e Jonny Greenwood tocaram sete das oito músicas de The King of Limbs.

Os shows também incluíram uma música inédita, “Daily Mail”, um discurso mordaz de Yorke para o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; “Supercollider”, cortada de The King of Limbs; e um novo arranjo com bateria dupla para “Myxomatosis”, de Hail to the Thief. O Radiohead também ressuscitou duas músicas antigas: “Subterranean Homesick Alien”, de OK Computer (1997), e um pedaço da favorita dos fãs, “True Love Waits”, durante a introdução para “Everything in Its Right Place”, de Kid A (2000). Na noite anterior, no mesmo lugar, Yorke prestou homenagem ao recém-desfeito R.E.M. e seu vocalista Michael Stipe, um amigo próximo, cantando o refrão do sucesso “The One I Love”.

O Radiohead só pôde fazer três shows neste ano – as datas do Roseland e um show-surpresa no festival Glastonbury, na Inglaterra – porque Deamer também está na estrada com o Portishead. “Ele não estava disponível”, afirma Chris Hufford, um dos empresários do Radiohead, “e é por isso que só podemos sair em turnê no ano que vem”. Yorke complementa: “Vai ser meio intermitente, com grandes brechas. Mas não tão grandes assim”.

Enquanto isso, o Radiohead lançou outro álbum. TKOL RMX 1234567 é um pacote de dois CDs de reconstruções radicais das faixas de The King of Limbs por DJs e produtores como Modeselektor, Altrice e SBTRKT. “Era quase como meu bebê”, afirma Yorke, observando que o remix de Blawan para “Bloom” “tem só um pouco de nós ali, mas adoro”.

Yorke, que fez 43 anos em 7 de outubro, está determinado a concluir seu novo disco do projeto Atoms for Peace até o final do ano. Provavelmente terá gravações das sessões que Yorke fez em 2010 com sua banda de turnê homônima, cujos membros incluem o produtor do Radiohead, Nigel Godrich, e o baixista Flea, do Red Hot Chili Peppers. O trabalho tem “muitas coisas solo também”, acrescenta Yorke, que confessa: “Ainda não está suficientemente bom”.