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Herança Genética e Imagens Musicais

Herdeira de Glauber, Ava Rocha lança disco de estreia como cantora

Christina Fuscaldo Publicado em 09/12/2011, às 12h57 - Atualizado em 26/12/2011, às 14h48

SEM MEDO  Ava Rocha (de bege) não tem medo de sua herança familiar
Divulgação

“Surge uma nova cantora de voz grave.” A manchete poderia ser essa se Ava Rocha não fosse muito mais do que isso. A cantora de voz peculiar é também compositora, cineasta, neta de Jorge Gaitán Durán, poeta colombiano, e filha caçula do ícone do Cinema Novo, Glauber Rocha. Ava entende menos de música do que de cinema, mas enveredou para essa arte depois de aprender a ser musicista com o irmão, o compositor Pedro Paulo Rocha. Ela reuniu três músicos de talentos tão peculiares quanto o dela no AVA e, desde 2008, anda com o microfone na mão e muitas ideias na cabeça. O resultado está no disco Diurno, que a Warner acaba de lançar.

“Sou a pessoa menos preparada musicalmente na banda. Falo de composição como se estivesse falando de um filme que invento. Comecei a entender esse meu lugar na música ao lado do Pedro. A partir da música que ele faz, estética, política e filosófica, senti uma vitalidade no meu canto”, conta Ava.

Pedro virou o quinto elemento da AVA, além de parceiro da irmã em “O Futuro”, “Batendo no Mundo” e “Filha da Ira”. A mistura resulta em um som experimental, meio soturno meio enigmático e, sem dúvida, orgânico e diferente de tudo o que se vê por aí. “Para mim”, diz a cantora, “referências fortes neste disco e neste processo são Clarice Lispector, Frida Kahlo, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, Jards Macalé, John Cage, Godart, Deleuze, a poesia latino-americana, Charly Garcia...”

Da MPB, a banda regravou “Movimento dos Barcos”, de Jards Macalé e Capinam, e “Pra Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto. Os irmãos Ava e Pedro assinam com Clarice Lispector a autoria de “Batendo no Mundo”, que traz uma passagem do livro Água Viva. Do avô colombiano, Ava trouxe o poema “Sé Que Estoy Vivo”. E ela não tem medo do estigma de “filha de”. “Dos 14 aos 20, morei em Bogotá e deixei de ser a filha de Glauber para me tornar a neta de Jorge Gaitán Durán. E não me incomoda. Talvez possa estar havendo certa preguiça. É um gancho, abre portas, mas é uma coisa natural na nossa vida.”