Pulse

O Custo da Independência

Fred Zero Quatro, do mundo livre s/a, critica o estado da cadeia musical brasileira contemporânea

José Julio do Espirito Santo Publicado em 09/12/2011, às 12h59 - Atualizado em 26/12/2011, às 14h47

LIVRE Zero Quatro (esq.) com o mundo livre s/a
Divulgação

“Estou na casa da sogra”, diz Fred Zero Quatro. Não é piada. O vocalista e fundador da banda mundo livre s/a descansa na Praia de Serrambi, em Pernambuco, e se prepara para o lançamento de Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, um álbum que teve seu início em 2009. “A demo inicial foi toda feita com software livre no estúdio [do baixista] Areia”, conta Zero Quatro. Algumas músicas foram para o estúdio do produtor Dudu Marote, em São Paulo, que retrabalhou timbres sem mudar a estrutura. “Voltou tudo no formato exato que estava no laptop, com nosso tecladista na época, Gustavo Joe”, Zero Quatro revela.

As sessões continuaram em Recife e depois o trabalho foi enviado a Jon Astley, na Inglaterra. “Hoje é mais barato você masterizar fora do Brasil. No Rio, é mais caro, demora mais e não se tem o mesmo know-how”, ele fala sobre a decisão de colocar o futuro álbum nas mãos de quem já trabalhou com os Rolling Stones e o Who. A nova cadeia produtiva musical, porém, não agrada tanto a Zero Quatro. “Não é de hoje que venho adotando uma postura não muito usual em relação ao que chamo de ciberselva pós web 2.0”, ele diz, lamentando a extinção de selos e as atuais propostas indecentes sobre artistas se apresentando sem cachês em festivais pelo Brasil. Zero Quatro desabafa: “O livro de Andrew Keen retrata muito bem a nova realidade. O título já resume – O Culto do Amador”.