3 PERGUNTAS... Apenas o Fim

Michael Stipe fala do fim do R.E.M. e diz por que não gravará um disco solo

David Fricke Publicado em 05/01/2012, às 13h18 - Atualizado às 14h57

SOZINHO  Michael Stipe não pretende gravar um disco solo
FERNANDO LEON/GETTY IMAGES

“Hoje é meu último dia de trabalho”, diz Michael Stipe animado, passeando pelos escritórios da Rolling Stone EUA depois de dar suas últimas entrevistas como vocalista do R.E.M. Teoricamente, ele está promovendo a coletânea Part Lies, Part Heart, Part Truth, Part Garbage 1982-2011, um apanhado da louca jornada da banda de Athens, Georgia, até o posto de celebridade mundial. Mas isso acabou em 21 de setembro, quando Stipe, o guitarrista Peter Buck e o baixista Mike Mills anunciaram que estavam se separando – o baterista Bill Berry deixou o grupo em 1997 – e Stipe, 51, passa a maior parte da hora que passamos juntos olhando para o passado com honestidade sincera e ansiando pela ideia de uma nova vida fora do rock. “Quem diz que tenho de ser compositor?”, ele questiona. “Estou em uma posição em que não sei o que o futuro me reserva.” Stipe também declara oficialmente: nada de álbum solo. “É algo inimaginável para mim. Soaria como? Um R.E.M. aguado?”

Como se sentiu no dia do anúncio? Assustado, aliviado?

Fiquei em Nova York. Mike estava em Athens. Peter estava no México – ele queria estar o mais longe possível. Mas eu fiquei aqui caso as coisas repercutissem demais e eu tivesse que ir ao [programa do] Jimmy Fallon ou dizer algo como: “Sério, está tudo ok, mesmo”. Mandei mensagens para todo mundo que achei que precisava ouvir a notícia diretamente de mim, liguei para algumas pessoas e depois fui até a Madison Avenue e dei uma volta. Fui a um café, respirei fundo – e me desprendi completamente. Estive sob contrato desde que tinha 22 anos. Estive em bandas desde que tinha 19. Estava experimentando algo profundo pela primeira vez: liberdade. Mike e eu nos encontramos duas noites depois, e ele me disse, “Isso é liberador”. [Suspira] E pensei: “Ele se sente do mesmo jeito que eu”.

Em que sua amizade com Peter e Mike mudou? A maior parte do tempo que vocês passaram juntos tinha a ver com turnês e discos.

O trabalho é nosso sonho de vida tornado realidade. Por mais difícil que fosse tocar em algum lugar onde o frio é de lascar em janeiro, há 60 centímetros de neve no chão e sua garganta está irritada porque todo mundo da equipe está doente, nada disso importa quando você pisa no palco. Problemas pessoais entre nós desapareciam. Essa parte não mudou nada. Vou me encontrar com Peter semana que vem. Mike e eu jantamos há alguns dias. Aquelas relações continuam.

Então por que se dar ao trabalho de terminar a banda?

Era importante para o R.E.M. ter um fim, não deixar que se tornasse essa coisa que pode ou não acontecer. Precisávamos que isso não fosse um incômodo, um problema: “Por que já fez três anos desde o último lançamento e vocês não têm falado sobre uma nova turnê ou álbum? Vocês não renovaram o contrato?” Tínhamos de deixar isso para trás.