Sentimento de Refúgio

Membro-fundador do Ludov, Mauro Motoki transformou retiro particular em primeiro disco solo da carreira

Leonardo Dias Pereira Publicado em 05/01/2012, às 13h06 - Atualizado às 15h06

COLABORAÇÃO  Motoki pediu conselhos a amigos para concluir o projeto
FELIPE MACHADO/DIVULGAÇÃO

O disco tem esse caráter de parecer uma febre. Como se fosse um pico de coisas que foram se juntando ao longo do tempo e que desaguaram de uma vez. Me perguntei durante o processo se as músicas teriam a cara do que normalmente faço em outros projetos ou se seria algo diverso”, responde Mauro Motoki, quando questionado sobre as motivações que o levaram a gravar seu primeiro álbum solo. Conhecido por ser integrante da banda paulistana Ludov e por, de tempos em tempos, aparecer em algum projeto paralelo (Vespas Mandarinas e Peixoto & Maxado), ele aproveitou a pausa da rotina de músico e produtor para visitar o irmão que reside em Miami e, assim, materializar as várias ideias que encheram mais de três caderninhos. “Aproveitei essa oportunidade para montar na garagem da casa dele, aquelas garagens tipicamente americanas, um miniestúdio e fiquei dez dias dividindo meu tempo entre brincar com meus sobrinhos e a gravação do álbum. Era tudo que precisava pra montar o disco e provar pra mim mesmo do que sou capaz de fazer como artista”, lembra.

Retornando para São Paulo, Motoki aproveitou um período de recesso no estúdio que tem em sociedade com o produtor Fabio Pinczowski para aparar as arestas do material bruto. “Foram mais dez dias frenéticos, trabalhando na montagem dos arranjos. Mas percebi depois que eles ficaram muito atulhados e comecei a mostrar a alguns amigos que também são produtores, gente em quem eu confio, na busca de uma opinião diferente.” Além do sócio, Chuck Hipolitho (VJ da MTV, músico e produtor) foi uma das pessoas que deram pitacos durante a formatação de Bom Retiro. O título foi escolhido para homenagear o bairro paulistano de mesmo nome (que abriga o estúdio) e também para simbolizar o período de sua concepção. “Penso que o retiro espiritual de que as pessoas falam é parecido com o que fiz, de você se isolar e ser obrigado a usar os próprios recursos pra criar algo”, diz Motoki. “Foi um método que gostei de usar e me deixou muito feliz.”