Arquivo RS: Em Busca da Perfeição

Em 1981, Meryl Streep, a campeã de indicações ao Oscar, confessava que não admitia falhas em sua vida profi ssional e pessoal

David Rosenthal Publicado em 13/02/2012, às 12h18

Rolling Stone

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Meryl Streep fica nervosa. Não o tempo todo, veja bem. Mas há ocasiões em que um arrepio desce sua espinha, momentos de introspecção em que fica a impressão de que as paredes de seu bem construído edifício mental poderiam desmoronar estrondosamente a qualquer momento.

Ela pode estar conversando, com um semblante preocupado surgindo em seu rosto luminoso, sobre seu medo de acidentes nucleares e sua preocupação com a segurança do planeta com uma bomba apocalíptica ao alcance dos dedos do presidente Ronald Reagan. Embora tais sentimentos soem sinceros, há algo oco no modo como eles surgem. Meryl insiste que eles são tudo, menos falsos, mas depois cede um pouco. Uma atriz, talvez melhor que qualquer um, sempre consegue detectar uma nota falsa.

“Não fico me autoanalisando muito”, ela diz, lentamente. “Mas andei pensando que talvez muito da minha ansiedade sobre essas coisas tenha a ver com – é um modo de substituir minhas próprias ansiedades ligadas à minha vida afortunada. Talvez esse seja meu jeito de lidar com isso. Tive tantas alegrias, e acho que em algum lugar alguém tem que pagar.”

Dá quase a impressão de que a própria Meryl Streep gostaria de pagar essa dívida. Quando você ascende ao nível de celebridade tão rapidamente quanto ela, quando em cinco anos você passa de recém-formada em dramaturgia ao posto de atriz mais procurada de sua geração em Hollywood, quando o talento e a beleza se unem para produzir uma artista capaz de representar qualquer papel, provavelmente algo tem que ceder. Mesmo que ela não falhe, alguém inevitavelmente vai ter essa atitude e dizer que ela falhou.

“Tenho certeza de que estão todos ansiosos por esse momento”, diz ela, calmamente antecipando uma canetada traidora nas costas. “É por causa da profusão de elogios que vêm sido feitos a mim. E estou no meio disso: um me joga flores, outro vê isso e resolve que é hora de jogar merda.”

Esta é, de fato, uma expectativa compreensível, levando-se em conta as regras do mundo caprichoso da idolatria. Mas aqueles empenhados em desmistificá-la enfrentarão uma dura concorrência: suas autoavaliações são bem mais críticas que qualquer coisa que a própria crítica especializada seria capaz de elaborar. Quanto mais você sobe, mais dura é a queda. Meryl Streep se considera sortuda e sabe o quão talentosa ela é, por isso está determinada a continuar se questionando a fim de prosseguir em seu crescimento.


Considere, por exemplo, o filme A Mulher do Tenente Francês. No papel de Sarah, a misteriosa heroína do Reino Unido vitoriano do livro de John Fowles, Meryl precisou – pela primeira vez em sua carreira – carregar o duplo fardo de assumir o papel de atriz principal e de atuar usando um sotaque. Pouco antes do início das filmagens, Meryl sentou-se com uma conhecida em um parque de Londres, trêmula. “Estou tão assustada, tão assustada com algo tão importante assim.” O diretor, Karel Reisz, também soube do problema e ficou preocupado, imaginando se a atriz conseguiria lidar com as difíceis nuances das inflexões vocais do século 19, tão cruciais para o papel. “Meryl estava muito preo cupada no começo”, diz ele. “Nós inclusive tínhamos como plano B a ideia de dublar algumas daquelas partes, se fosse necessário.”

Mas não foi. Meryl concentrou-se, focou-se e aplicou o tipo de intensidade que impressiona todos que já trabalharam com ela. A atriz contratou uma professora especializada e passou horas intermináveis lendo em voz alta obras que iam de Jane Austen a George Elliot para aperfeiçoar sua performance. Quando as filmagens de A Mulher do Tenente Francês começaram, o sotaque de Meryl era tão preciso que uma amiga próxima não reconheceu sua voz ao telefone.

Agora, esta transformação não é algo único para uma grande atriz. É parte do trabalho, esse ato de entrar e sair de papéis. Mas o que torna a tarefa tão estranha no caso de Meryl é que, apesar da naturalidade do talento que tem para se enfiar dentro da vida e da psique de qualquer personagem, ela tem sérias dúvidas sobre sua capacidade de sair deles. Talvez por nunca ter falhado na superação de qualquer desafio profissional, há uma pressão interna dentro dela, uma dinâmica defensiva que a alça à grandeza enquanto previne o menor deslize rumo à complacência.

É exatamente como a rotina pela qual Meryl passa com seu irmão Harry, artista de dança moderna, pouco antes de cada estreia – um período em que ela acha que “tudo o que eu faço é uma merda”. Ela diz a ele: “Estou perdida. Esta é a pior coisa que já fiz”. Harry invariavelmente responde: “Você não se lembra? Este não é o pior trabalho que você já fez. O pior foi o último”.

A versão de Meryl sobre o porquê de isso acontecer é mais técnica do que profunda. “Não tenho nenhum método. Gente que faz algum tipo de terapia, ou que tem outros meios de relaxamento, se certifica de ter ‘O Método’ enfiado junto de seus roteiros. Eu não tenho isso. Eu meio que abordo tudo de um jeito diferente.”

E sua abordagem, aquela que é ostensivamente culpada por sua angústia, é simplesmente assumir a vida de quem quer que seja que ela esteja para retratar. Tornar-se parte da paisagem, como Meryl define para enxergar o mundo do personagem e entrar dentro dele. Desaparecer na realidade distorcida que é a representação da ficção e emergir como outra pessoa.

Fazer isso tão bem assim pode ser assustador.

Aos 32 anos, Meryl Streep está bem armada. Sempre no controle, cuidadosa ao extremo. O mundo é perigoso e Meryl Streep faz de tudo para manter até suas mais vagas crueldades longe.


A razão para isso é mais pragmatismo do que neurose. Os efeitos colaterais de ser uma celebridade são a exposição e o risco. Meryl fala sobre pessoas estranhas que ficam esperando do lado de fora de seu apartamento, em Manhattan, quando ela chega em casa tarde da noite. Ela, seu marido, o escultor Don Gummer, e seu filho pequeno, Henry, estão se mudando para um loft parecido, mas com bem mais segurança. É um assunto delicado, que a deixa furiosa se mencionado. Sua reação a uma repórter que praticamente imprimiu o caminho para sua casa escondida no norte de Nova York – três cômodos, cercada por 92 acres de pinheiros – foi venenosa: “Escrevi para ela: ‘O que tem na sua cabeça? Eu não vivo como os Kennedy. Não tenho uma fortaleza e nove cães weimaraner vigiando o lugar. Você nos transformou em alvos fáceis’”.

Os alarmes soam todas as vezes em que ela abre a boca. “Em casa, não tenho defesas”, diz . “Não sou cautelosa. Mas fico muito alerta nesse meio. Por isso tomo cuidado com o que falo. É triste, porque eu costumava ter opiniões mais fortes – quero dizer, ainda tenho, mas costumava ser mais explícita quanto a elas. Agora, o tamanho das minhas opiniões é distorcido para se transformar em algo supostamente importante.”

A solução, Meryl descobriu, é não sair mais. É uma troca que se viu obrigada a fazer, mas detesta. É uma concessão a uma cultura fofoqueira intrometida que tornou difícil para ela frequentar museus ou galerias ou simplesmente passear sem ser reconhecida ou amolada. “Quando você fica famosa, muita da sua energia é usada para manter o que você tinha antes de ser famosa, manter seu senso de observação, ser capaz de encarar as outras pessoas. Se tiram seu poder de observação, você se perde”, admite.

Para uma atriz, isso é um duro golpe. Então, por que ela tornou seu rosto um objeto de atenção quase bizarra por meio de – pouca, é verdade – propaganda? Certamente para ajudar na divulgação dos filmes em que acredita e também para impulsionar sua carreira para além de uma encruzilhada onde estrelas ou decolam ou explodem. É algo que precisa ser feito, mas Meryl entende bem o absurdo e a transitoriedade relacionados a uma pessoa pública.

Há uma história contada nos arredores do Public Theatre em Nova York, por exemplo, sobre a vez em que o Primeiro Ministro canadense, Pierre Trudeau, compareceu a uma apresentação de Meryl. Depois do show, Trudeau foi aos bastidores para cumprimentá-la e imediatamente a convidou para sair. Meryl, levemente atordoada, recusou educadamente. Quando Trudeau finalmente foi embora, ela disse a uma colega: “Não entendo. Por que pessoas famosas só querem se encontrar com outras pessoas famosas?”

O raciocínio fica mais engraçado. “Coloque-se nesta situação”, ela diz. “Você está passando por uma banca de revistas na rua 57 com a 6ª avenida, e lá está seu rosto na capa. E uma semana depois você está no metrô, e lá está aquela mesma capa, com o seu rosto, no chão. Alguém provavelmente mijou nela. É uma sensação imediata de compreensão do que é tudo isso.”


Houve Alice in Concert, uma versão musical de Alice no País das Maravilhas feita por Elisabeth Swados, em que Meryl entrava no palco em rompantes, vestindo roupas violetas, à imagem perfeita de uma garota curiosa de 7 anos. Enquanto ela rolava no palco, brincava com seus cabelos ou olhava aborrecida para o próprio pé, fazia com que você acreditasse que ela era mesmo uma criança precoce. De certa forma, Meryl acreditou nisso também.

“Eu tinha feito apenas três filmes e precisava saltar e me sentir do mesmo jeito que o meu filhinho quando brinca”, ela diz. “E eu queria esquecer o modo como me pareço, perder a noção de mim mesma, ter aquela liberdade que as crianças têm quando estão fazendo algo no meio de uma sala cheia de adultos as observando – e elas simplesmente não se importam. Claro, talvez eu possa ir a uma analista para tentar chegar a isso, mas nunca me ocorreu fazer algo assim.”

E com A Mulher do Tenente Francês o apelo era parecido: uma oportunidade para fingir, deixar que sua imaginação se transformasse na verdade. Depois de interpretar mulheres contemporâneas em todos os seus grandes filmes anteriores, Meryl escolhe fantasiar-se trocando de lugar com uma dama 100 anos no passado. “Eu disse para o meu agente: ‘Tenho que fazer algo fora de Manhattan, fora de 1981, fora da minha experiência’”, relembra Meryl. “Coloque-me na Lua; quero estar em outro lugar. Quero estar presa nas fronteiras de um lugar e tempo diferentes.”

É uma tremenda tentação para uma estrela que se aproxima do auge barganhar poder para alcançar o sucesso rápido, conseguir colocar seu próprio nome em primeiro nos créditos em qualquer superprodução rasteira e depois deixar que os críticos falem o que quiserem. Mas Meryl Streep não trabalha em qualquer porcaria; ela se recusa. Todas as suas investidas cinematográficas – Julia, O Franco Atirador, Manhattan, A Vida Íntima de um Político, Kramer vs. Kramer e A Mulher do Tenente Francês – foram produtos de qualidade não necessariamente lucrativos. Na verdade, por A Mulher do Tenente Francês, Meryl recebeu US$ 350 mil, uma soma não muito grande para os padrões atuais de Hollywood. Tudo derivado de um orgulho enorme e de uma natureza descompromissada que é mais deliberada que severa.

Meryl diz que é apenas exigente na escolha, paciente e motivada por sua necessidade de se “engajar” no que quer que esteja trabalhando, evitando o tédio interpretando personagens cuja alma tem mais de uma dimensão. “Estamos em uma época pouco ousada intelectualmente e artisticamente, mesmo em termos de entretenimento”, diz ela. “E me sinto preocupada, já que o meu ganha-pão está ameaçado porque não tenho interesse em fazer muitos dos filmes que vêm sendo feitos. As pessoas pensam que você faz escolhas baseadas somente nos personagens que são oferecidos. Bem, não é assim. Há tão poucos roteiros escritos primorosamente, que se algo promissor surge você pula em cima na hora. Você paga para fazer o filme.”

Não é algo tão elitista ou moralista quanto parece. É uma posição meramente realista, atingida através de uma postura de comando, habilidade, bom gosto e expressada com uma ponta de dor. Mas também surge de algo mais, proveniente talvez da excepcional sequência de sorte de Meryl. A atriz raramente se viu em situações difíceis e as coisas geralmente vêm fácil para ela. É alguém que sempre lutou sem dificuldades.


“Estou em uma posição em que posso recusar trabalhos. Não estou sustentando cinco filhos sozinha enquanto tento emplacar algum comercial. Tenho esse privilégio. Claro, quando você tem a possibilidade de esperar entre um trabalho e outro, pode ter toda a integridade e escrúpulo que quiser.”

Quanto à sua vida privada, Meryl a discute raramente, por medo de entregar intimidades demais sobre sua existência. Isso é especialmente verdadeiro se o assunto for John Cazale, ator que foi namorado de Meryl até a morte dele em 1978, vítima de câncer. Eles haviam completado a filmagem de O Franco Atirador juntos, e então Meryl partiu para a Áustria para filmar a série de TV Holocausto. Ela voltou a tempo de passar os últimos meses ao lado da cama dele, se isolando do mundo, focando-se somente em manter o ânimo do namorado através de sua companhia incansável. Foi a única tragédia verdadeira em sua vida de porcelana.

Logo depois da morte de Cazale, a New York Times Magazine publicou seu primeiro perfil longo de Meryl Streep. Nele, a revista contou alguns detalhes do relacionamento, e desde então, ao que parece, perguntas sobre o caso tornaram-se obrigatórias para os repórteres que tentam fazê-la se abrir. Mas a atriz acha esse tipo de confissão repulsivo e sabiamente se ressente de intrusões nas partes mais profundas de seu coração.

“É tão humilhante discutir algo que significa tanto”, diz ela, “ter que tornar o assunto interessante a cada vez que você conta. Por isso agora eu só digo, ‘Prefiro não falar a respeito’ ou simplesmente resumo tudo em uma única frase. E, por causa dessa omissão, acho que o assunto se torna mais fascinante para os outros”.

“Senti como se precisasse dizer algo para as pessoas que estavam realmente envolvidas”, diz ela. “É difícil, entretanto. Porque eu tenho essa sensação às vezes, quando leio algo que alguma outra pessoa disse – mesmo lixo, mesmo na revista People – e tem a ver com minha própria vida, fico grata que eles tenham colocado lá. Ao mesmo tempo, falar disso é como arrancar um pedaço de mim mesma – e é como uma traição”.

A fonte de sua indignação é clara. Meryl conheceu Cazale quando ambos participaram da peça Medida por Medida no Central Park. Após a primeira apresentação, o elenco fez uma festa em um bar do Upper West Side, e depois Streep e Cazale foram jantar juntos às 3h da manhã. Ela chegou em casa às 5h da manhã, não conseguiu dormir e seus olhos pareciam tomatinhos vermelhos quando ela chegou e se apresentou horas depois para uma entrevista para um jornal, zonza e empolgada.


“Foi uma experiência maravilhosa.É tudo o que posso dizer”, relembra Meryl. Seu olhar fica distante, fixo em algum ponto a quilômetros de distância. Ela sorri, de leve, então fica quieta por um tempo.

O silêncio é digno, mágico.

Uma coisa que torna Meryl Streep tão intrigante é a falta abjeta de um passado “interessante”. Sua vida, sua juventude parecem comuns, mundanas, um cenário confortável que serve muito pouco para revelar os segredos internos da artista que ela é hoje.

A infância de Mary Louise “Meryl” Streep foi em Bernardsville, Nova Jersey, um enclave suburbano de casas bem cuidadas e famílias prósperas. Nenhum de seus pais tinha viés teatral (embora seu pai, executivo de negócios, às vezes compusesse músicas), e Meryl não tinha nenhuma ambição voltada para o palco. Até o ensino médio, na verdade, ela se via à beira do pouco apresentável: sem graça, usando óculos, cabelo ruim, o tipo de garota que você sempre evita no ônibus da escola.

Mas, com uma incrível veia dramática, ela mudou sua adolescência em uma performance notável. Foi-se o visual acanhado; o cabelo foi clareado e arrumado, e dali surgiu uma cheerleader, uma atleta e rainha do baile. “Todo mundo é preocupado nessa idade”, diz ela. “Você quer se encaixar, ser perfeita, ter os sapatos certos. Quer ter certeza de que não é nojenta demais, assim ninguém vai vomitar quando vir você.”

E enquanto ela desabrochava socialmente, outra coisa acontecia. Meryl tinha lições vocais desde os 12 anos, e, como se para completar sua saudável, ultranormal adolescência, um teste para uma peça escolar estava sendo feito na época: primeiro foi O Vendedor de Ilusões, e a partir daí seu destino poderia até ser a Broadway.

Meryl recusou o pedido do diretor da escola de dramaturgia Robert Brustein para permanecer no grupo de teatro depois de sua formatura, e, devendo US$ 4 mil para Yale, trocou New Haven por Manhattan. A atriz estava cansada da pressão acadêmica, dos professores impondo uma variedade de técnicas em seu estilo e sentia-se pronta e capaz de atingir o estrelato. Foi aprovada em sua primeira audição para uma produção de Joseph Papp para a comédia Trelawny of the Wells no Lincoln Center.


A partir daí, ela se recusou a pegar leve, levando a si mesma e a seus companheiros aos níveis mais altos. Meryl bate boca com diretores e outros atores do elenco para defender suas ideias, e, embora esteja aberta a ouvir contrapropostas, geralmente finca o pé em suas opiniões. “Meryl não se cansa”, diz o produtor Papp. “Ela é durona nos ensaios e em tudo mais. Ela pode até fazer graça, mas nada é brincadeira para Meryl.”

Essa atitude séria assusta e atrai o respeito de seus colegas. “Toda vez que ela sugeriu algo, confiei e pelo menos tentei”, diz Jeremy Irons, seu parceiro em A Mulher do Tenente Francês. “Se havia uma possibilidade de confronto, eu tentava o método dela.” Irons segue: “A cena do celeiro, em que Meryl acorda e me vê observando-a, não estava funcionando, mesmo depois de muitas tomadas. Então ela me pegou, me chacoalhou fisicamente e disse: ‘É difícil, é difícil. Você tem que fazer, mas nunca é fácil’”.

Por que essa incessante tentativa de alcançar a perfeição? “Porque compensa”, diz ela. “Talvez poucas pessoas consigam enxergar a mentira se você for em frente e fizer de qualquer jeito. Mas mais pessoas verão a verdade no que você está fazendo. Nem sempre eles veem a falsidade, mas, quando algo está certo, eles enxergam. Mas, veja bem, fora da minha área, não dou a mínima. Não sou excessivamente crítica. Sou uma relaxada. Meu marido e eu estávamos discutindo isso hoje. Estamos arrumando nosso apartamento, e o arquiteto é muito específico quanto aos detalhes. E em alguns lugares, acho eu, tudo bem, é importante. Mas, falando sério, não estou nem aí se não for a mesinha de centro perfeita. Não quero gente entrando e dizendo: ‘Uau! Fantástico! Quem decorou sua casa?’”

“Então meu marido colocou a opinião de que talvez eu fosse menos que tolerante. ‘No seu trabalho’, ele disse, ‘você exige que cada detalhe seja perfeito. Por que você não consegue aceitar isso nesse caso?’ E eu disse: ‘Bem, porque esta é minha casa’.”

E Meryl ri com vontade diante da rachadura em seu próprio verniz. “Só me importo de verdade quando se trata do meu próprio trabalho. Porque é uma fronteira que eu entendo. Posso ser exigente dentro das fronteiras da ficção o quanto eu quiser.”