Espada, sandália, sangue e sexo

Nova temporada de Spartacus estreia no dia 10 de março no GLOBOSAT HD

Stella Rodrigues Publicado em 15/02/2012, às 18h24 - Atualizado em 01/06/2012, às 12h46

Spartacus
Divulgação

O tema agora é vingança. Estreiam no dia 10 de março os novos episódios da série Spartacus. Sob o título de Spartacus: Vengeance, esta é a segunda temporada da trama, que na primeira vinha com o subtítulo Blood and Sand e contou com um prelúdio batizado de Gods of the Arena. O novo capítulo retoma a história a partir da sangrenta fuga dos gladiadores da Casa de Batiatus. Claudius e suas tropas estão a caminho de Cápua para enfrentar os escravos liderados por Spartacus. Enquanto isso, cabe ao protagonista decidir se vai se vingar do homem que condenou sua mulher à morte ou comandar o exército.

Além da sequência à história, podemos contar também com as doses generosas de cenas sangrentas e picantes que marcam a produção do canal da cabo Starz, cada vez investindo mais em dramas de época e em séries custosas. Isso é o que conta o produtor executive Steven DeKnight, que ao lado do elenco - incluindo Lucy Lawless, a eterna Xena - participou de uma coletiva por telefone da qual a Rolling Stone Brasil participou.

O que mais marca este retorno do programa à TV é a substituição do ator Andy Whitfield, vítima de um linfoma fatal em setembro do ano passado, pelo australiano Liam McIntyre, rosto relativamente desconhecido do grande público, mas que conta com a sorte (ou azar) de ter um biotipo parecido com o de Sam Worthington, de forma que a substituição parece ter acontecido sem grandes traumas para o público norte-americano (que já acompanhou a estreia da nova temporada).

Mas para o elenco, claro, a perda do colega foi absolutamente cheia de luto. Steven conta que foi amplamente debatida a possibilidade de cancelar a série, quando Whitfield foi diagnosticado com câncer. “Decidimos fazer a prequel quando soubemos que as chances dele eram muito boas. Isso daria a Andy o tempo necessário para se recuperar. Quando ele piorou, se afastou para cuidar da saúde. Andy apoiou a decisão de continuarmos com o programa mesmo na sua ausência. De alguma forma, estamos honrando a memória dele.”

A partir daí, algumas decisões tiveram que ser tomadas. “Optamos por escrever o roteiro e manter o personagem exatamente como ele era antes. Em vez de tentarmos adaptá-lo para Liam, deixamos com que ele trouxesse sua assinatura ao personagem. A história e o desenrolar da trama permaneceram iguais.”

Coube a Liam se esforçar para entrar na forma. E a forma em questão é das mais complicadas de se alcançar. Haja academia para ficar com corpo de gladiador. “A malhação tem sido variada e bem difícil. Estava com 20 e poucos quilos a menos do que deveria por causa de outro papel. Nos testes, me fizeram passar por um verdadeiro inferno, me colocaram para levantar um monte de peso”, relembra o ator, que ficou sob a tutela de um treinador militar. O esforço resultou em cenas de batalha das quais Liam se orgulha bastante e que se tornaram uma das partes preferidas dele. “Provavelmente temos o melhor tive de dublês do mundo. Fiquei bem melhor nas lutas.”

Sword and sandal

“Estou muito animado de poder participar de um drama ‘espada e sandália’”, conta o protagonista, se referindo ao gênero já consgrado de histórias que recontam tramas épicas ou bíblicas. “Esse sempre foi meu sonho, desde criança”, diz com sinceridade, relembrando o filme Spartacus (1960), de Stanley Kubrick, como um dos melhores do gênero. “E para o público moderno a série é um pouco mais fácil de se consumir, de certa forma.” Puxando o gancho do comentário do ator, Steven reflete a respeito do último ano e conclui que se tivesse que traçar um paralelo com aquela realidade e a atual conseguiria ao levar em conta “a Primavera Árabe e o Occupy Wall Street, essa sensação de que a classe pobre trabalhadora realmente se levantando e dando um basta nas coisas”.

Para um fã do estilo como Liam, nada mais especial do que ter sua primeira experiência dentro dele atuando ao lado de Lucy Lawless, que é praticamente a deusa do gênero. Para quem não se lembra, ela interpretou a protagonista de Xena: A Princesa Guerreira, personagem que também participava da trama do spin-off Hércules. Ela conta que a “especialização” dentro da área foi acidental. “Ela que me achou, na verdade. Mas fico feliz, tem sido ótimo. Eu cresci assistindo à série I, Claudius, era incrível”, comenta a respeito da obra da BBC que foi ao ar nos anos 70. E ainda recorda: “era bem pesada para a época”.

Tem sentido: a brutalidade de uma época sem leis, em que havia tão pouco respeito pela vida humana, e de ampla liberdade sexual, quando mostrada fielmente, resulta em obras audiovisuais com imagens vívidas. Ajuda se a emissora que exibe a atração é conhecida por esticar os limites da censura e investir em novas tecnologias que tornam, por exemplo, a tonalidade do sangue tão próxima do real quanto se verá na telinha nos próximos anos. O investimento tem valido a pena para o canal Starz, que já liberou a produção da temporada que será exibida depois dessa que estreia mês que vem.