Especial Mulher: O Reinado de Lana

Fenômeno na internet, a cantora Lana del Rey ainda não se sente bem no mundo real

Austin Scaggs Publicado em 09/03/2012, às 12h34

DESCONFORTÁVEL  Lana Del Rey não se sente à vontade no palco. “E meus fãs sabem disso”, diz
NICOLE NODLAND/DIVULGAÇÃO

Passaram-se apenas 36 horas desde a polêmica apresentação no Saturday Night Live, e Lana Del Rey está em Nova York comendo um cookie. “Na verdade, eu gostei”, ela diz. “Acho que eu estava linda e cantei bem.” Mas fica claro que Lana ficou incomodada com o veneno destilado contra ela na internet depois da desconfortável participação no programa cantando duas faixas, incluindo o single “Video Games”. Mas ela ainda tem um ás na manga: o álbum Born to Die, que mistura arranjos de orquestras e batidas de hip-hop com versos confessionais sobre separações e relacionamentos nocivos.

Como foi cantar ao vivo na TV?

Foi ok. O elenco e a equipe me disseram que adoraram. Sei que algumas pessoas não gostaram, mas é assim que eu me apresento e meus fãs sabem disso.

Você se sente confortável no palco?

Fico nervosa. Não sou uma performer natural ou exibicionista. Quando eu era mais nova, odiava o foco em mim, fazia eu me sentir estranha.

A reação à sua apresentação no programa foi bem pesada.

Acontece com tudo o que eu faço. Não é algo novo. Quando saio na rua, as pessoas têm sempre algo a dizer a respeito de mim. Não faria diferença se tivesse sido inegavelmente excelente. Ninguém tem algo de bom para dizer sobre esse projeto. Tenho certeza de que é por isso que você está escrevendo a respeito dele.

Dei a impressão de que não gosto das suas músicas? Eu gosto! Especialmente “Radio”.

Não. Não tenho como saber o que você acha. Não é fácil avaliar como as pessoas se sentem a respeito do meu trabalho. Não quero entrar nesse assunto. Mas obrigada, também amo “Radio”.

Quando foi a primeira vez que você pisou em um palco?

Fiz o papel da pequena orfã Annie [da série norte-americana de quadrinhos Little Orphan Annie] quando tinha 3 anos.

Qual foi a primeira música de que você realmente gostou?

Não tínhamos TV, por isso me lembro de ver o clipe de “Heart-Shaped Box” quando eu tinha 11 anos, em uma festa na casa de uma amiga da minha mãe. Havia algo no olhar de Kurt [Cobain] que fez eu me sentir como se eu soubesse o que ele sentia, como se eu me identificasse com ele. Ainda ouço bastante Nirvana.

Em “Blue Jeans”, você canta: “I grew up on hip-hop” [“Eu cresci ouvindo hip-hop”]. É verdade?

Eu adorava o Eminem. E, no ensino médio, meu professor de inglês me mostrou Biggie Smalls [o rapper Notorious B.I.G. ]. Eu amava “Me & My Bitch”.

Sua coleção de discos é grande?

Gosto mais de colecionar compactos. Adoro “Fun, Fun, Fun”, dos Beach Boys, “Suzanne”, do Leonard Cohen, e “The Other Woman”, da Nina Simone. E ouvir “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)”, do Bob Dylan, pela primeira vez foi uma revelação. Assisti muito ao [documentário] Dont Look Back e li a biografia dele escrita por Anthony Scaduto. Como acontece com todo mundo, Bob me deixa atordoada.

Onde você estava quando compôs “Video Games”?

Em Londres. Eu estava com Justin Parker, um dos meus produtores, e comecei a cantarolar e improvisar em cima daquela progressão de acordes. Levei uns dez minutos, acho. Sabíamos que tínhamos conseguido algo especial. Era a canção perfeita para mim – era eu em forma de música.

Em “Off to the Races”, você menciona cocaína e drinques. Você bebe muito?

Estou sóbria já faz um tempo. Não bebo um drinque sequer faz muitos anos, mas costumava beber. Na época em que ainda bebia bastante, me meti em uma encrenca e fui mandada para o colégio interno. Mas aí me endireitei.

Versos sobre levar alguém “downtown” [“para o centro da cidade”] aparecem duas vezes no álbum. O que quer dizer?

Tem alguns significados. Um é: “Vamos sair, vamos para o centro!” E o outro é… [Risos]. Deixa pra lá.