Vida Póstuma

Amigos como Joan Jett ajudam a terminar o último trabalho de Joey Ramone, vocalista do Ramones

David Fricke Publicado em 12/03/2012, às 13h10 - Atualizado em 22/03/2012, às 16h16

IT’S ALIVE Sem o Ramones, Joey só teve lançamentos póstumos
PAUL BERGEN/REDFERNS/GETTY IMAGES

Depois da morte de Joey Ramone, vítima de um linfoma em abril de 2001, a mãe, Charlotte Lesher, e o irmão mais novo dele, Mickey Leigh, estavam limpando o apartamento do vocalista do Ramones, em Nova York, quando Charlotte achou um recibo velho de uma pizzaria. “Ela ia jogar fora”, relembra Leigh. “Eu virei o papel, e havia versos escritos.” Até o fim, diz Leigh, “Joey estava criando alguma coisa”.

No dia 21 de abril, uma década depois da estreia solo póstuma, Don’t Worry About Me (2002), Joey finalmente lançará um segundo álbum – chamado Ya Know? , em homenagem ao modo como ele costumava encerrar todas as suas frases, com sotaque arrastado do Queens. O novo trabalho conta com 17 músicas gravadas pelo cantor em forma de demos durante e após o encerramento da carreira do Ramones, que se separou em 1996.

As faixas – que incluem o hino “Rock & Roll Is the Answer”, a ode à cidade natal “New York City” e uma impressionante balada com jeito country, “Waiting for That Railroad” – foram finalizadas por produtores como Ed Stasium e Jean Beauvoir, que também trabalharam com o Ramones. Joan Jett, Steven Van Zandt (da E Street Band), o baterista Richie Ramone e membros das bandas Cheap Trick e Dictators estão entre os amigos e fãs que contribuíram com novas gravações complementares.

Entraves nas negociações de algumas das demos, originalmente gravadas por Joey com o produtor Daniel Rey, atrasaram o álbum. Stasium diz que um dos planos era recrutar estrelas de “bandas muito populares influenciadas por Joey”. Em vez disso, “trouxemos caras que eram realmente amigos dele”. Stasium gravou os overdubs em Nova York, em 2010, uma semana depois da Joey Ramone Birthday Bash, festa annual em homenagem ao músico.

O caráter vintage do material permeia “o trabalho todo”, diz Leigh, que toca em Ya Know? – ele gravou a versão lenta que Joey fez para o sucesso do Ramones, “Merry Christmas (I Don’t Want to Fight Tonight)”, feita na metade dos anos 80 em um gravador de fitas cassete de quatro canais. Andy Shernoff, do Dictators, estava assistindo TV com Joey, no começo dos anos 90, quando os dois compuseram a delicada “Trembling”. “Ele estava amadurecendo a voz, com um tom mais profundo”, diz Shernoff. “Joey teria ido mais nessa direção. Gostava de cantar desse jeito.”

“A saúde dele tinha altos e baixos”, explica Leigh sobre os últimos anos do irmão. “Mas, quando o coquetel da quimioterapia funcionava, era aí que ele trabalhava. Joey não tinha intenção de se aposentar. Sua saúde o atrapalhava, mas ele finalmente se sentia livre.”