Tinindo, Trincando e Comemorando

Moraes Moreira comemora sozinho no palco os 40 anos de Acabou Chorare e lança disco de inéditas

Christina Fuscaldo Publicado em 13/04/2012, às 15h49 - Atualizado às 15h51

DEFINITIVO “Não tem mais volta”, diz Moreira sobre o Novos Baianos
MARCUS VERAS/CORINGA COMUNICAÇÃO (

No ano em que Acabou Chorare completa quatro décadas, Moraes Moreira é só comemoração. Além de estar em turnê com um show em que homenageia o álbum mais atemporal dos Novos Baianos, do qual fez parte, Moreira se prepara para lançar A Revolta dos Ritmos, que, segundo ele, tem tudo a ver com o clássico. “Eu ia fazer um álbum só de sambas, mas aí veio à cabeça uma loucura de que os outros ritmos iam reclamar”, explica. “Vi o baião chegando enciumado. Aí o xote deu um pinote. O rock me deu um choque e o maracatu me chamou de cafona. Achei melhor abrir o disco para todos os ritmos e dar a ele aquele frescor caracterizado pela mistura que os Novos Baianos faziam.”

Previsto para maio, o novo trabalho homenageia escritores, poetas e educadores que permearam a infância de Moraes Moreira. São citados Machado de Assis (na faixa “Brasileira Academia”) e Moreira da Silva no (samba de breque “Cuidado Moreira”). O filho Davi Moraes gravou guitarras no disco do cofundador dos Novos Baianos e vem dividindo o palco com o pai em Acabou Chorare, o Show. Segundo Moreira, o novo lançamento terá um show próprio. “Posso até tocar ‘Festa do Interior’ e ‘Brasil Pandeiro’ para agradar, mas quero mostrar que continuo produzindo e que não vivo de saudosismo”, diz. “Preparamos a homenagem aos Novos Baianos para uma apresentação, mas recebemos muitos convites. É um disco que vale a pena comemorar, pois foi feito no momento mais sublime. Sempre escuto a meninada de 16 ou 17 anos me dizendo que sente saudade de um tempo que não viveu.”

Mas Moreira descarta qualquer possibilidade de reencontro com os ex-parceiros. “Tenho uma saudade boa, tanto que não tenho vontade de fazer aquilo de novo. Cada um está em um caminho e pode fazer sua homenagem, mas não tem mais volta.”