5 PERGUNTAS - Melhor do Ano

Zeca Baleiro fala sobre provocar a Rolling Stone e do novo álbum

Stella Rodrigues Publicado em 10/05/2012, às 14h14 - Atualizado em 11/05/2012, às 17h07

AUTOELEITO 
Novo disco de Zeca Baleiro é uma “provocaçãozinha”
GAL OPPIDO/DIVULGAÇÃO

Coberto de ironia, o título do novo trabalho de Zeca Baleiro é O Disco do Ano. O álbum traz as participações de Chorão (em um rap) e Margareth Menezes (em um reggae). Além dessa variedade de estilos, o trabalho tem três características curiosas: são 12 faixas e 15 produtores diferentes; há várias referências a redes sociais; e uma capa modulada que, na verdade, são três capas – as imagens foram escolhidas pelo público em votação, mas o artista acabou optando por incluir todas na arte-final.

Como funciona isso de trabalhar com 15 produtores? Por que tantos?

Foi uma loucura! Normalmente o que acontece é ter um, dois, no máximo três produtores no disco. Quinze é realmente um caso inédito [risos]. Eu queria um formato de produção que fosse novo e diferente para mim. E pensei nisso: se cada um fizer uma música, vai dar um colorido interessante. Queria que as pessoas mostrassem o olhar delas sobre o meu trabalho e gostei muito do resultado, acho que também tem uma unidade. Mas foi uma aventura, no meio do caminho eu virei um gerente de produção, organizando prazos, tamanhos, tudo mais.

A regravação de “Proibida pra Mim”, do Charlie Brown Jr., foi um sucesso. Ter o Chorão no disco foi uma forma de retribuir?

Desde que eu gravei essa versão estreitou-se uma relação, há uma admiração mútua, apesar de sermos de prateleiras diferentes. A gente tem se encontrado por aí, participei de um DVD com o Charlie Brown Jr. em Santos, em outubro. Quando fui gravar “O Desejo”, queria alguém que tivesse algo a ver com o rap, mas não fosse exatamente da tribo do hip-hop. Me ocorreu que o Chorão poderia ser esse cara e ele ficou amarradão com o convite. Acabou me dando uns começos de composição para eu finalizar, vamos nos tornar parceiros.

A faixa piadista “Mamãe no Face” cita a Rolling Stone, além de outros veículos.

A música fala sobre algumas instituições culturais, veículos formadores de opinião. Eu brinco, questiono esse poder que o jornalista tem de criar listas, fazer eleições e o quanto isso pode ser definidor de um quadro, uma geração. Mas é tudo uma brincadeira, uma provocaçãozinha, porque a música está carente disso. Tem muita flor no cabelo e pouco rock and roll.

O nome do disco segue a mesma linha?

Brinca com esse mesmo fetiche de formadores de opinião de ‘ah, agora sim o disco do ano’ ou de fazer listas de melhores do ano. É algo saborosíssimo para quem lê, é divertido fazer listas. Mas elas são sempre injustas. O que quero, com um certo bom humor, é provocar essa discussão.

Três das faixas fazem referências a redes sociais. Está passando por algum momento de vício na internet?

[Risos] Eu entrei muito recentemente em redes sociais e uso restritamente para trabalhar. Não tenho mais idade nem tempo para ficar compartilhando as fotos do aniversário e do churrasco, deixa isso para os meus filhos. Mas acompanho como interesse essa evolução, porque isso interfere na forma com as pessoas se relacionam.