Escancarando Todas as Portas

Contando com a sorte e a devoção dos fãs, Cícero abre a casa e o coração com canções intimistas

Mariana Tramontina Publicado em 11/05/2012, às 17h19 - Atualizado em 22/05/2012, às 18h11

ÍNTIMO Cícero escreveu sozinho e em clima caseiro as músicas de Canções de Apartamento
divulgação

Nos últimos meses, Cícero Lins trocou o conforto do sofá vermelho de casa pela impessoalidade dos trajetos hotel-aeroporto-hotel. Desde que disponibilizou na internet as dez canções do álbum Canções de Apartamento, em junho de 2011, o músico carioca de 25 anos abandonou a proteção das quatro paredes para encarar lugares até então desconhecidos. Em apenas três semanas, mais de dez mil downloads gratuitos foram feitos, impulsionados pelo clipe de “Tempo de Pipa”, que acumulou quase oito mil exibições em uma semana. A partir daí, a novidade circulou, o disco marcou presença em listas de melhores do ano e trechos das composições se transformaram em tatuagens na pele de fãs. “Às vezes assusta”, ele confessa. “Mas essa relação das pessoas com a minha música me impressiona.”

Ouça o disco Canções de Apartamento, do cantor Cícero.

Entre uma MPB moderna e um indie rock de guitarras sujas, Cícero versa sobre amores e dissabores, saudades e fugas, encontros e desencontros. “São músicas íntimas, mas sem grandes verdades. A grande questão é que há sinceridade”, teoriza. Depois do burburinho virtual, ele foi procurado por três gravadoras, mas exigiu dois pré-requisitos: que as músicas continuassem à disposição para quem quisesse baixar de graça na internet; e que o disco fosse lançado sem qualquer alteração na sonoridade. “Nada poderia ser regravado, remixado ou remasterizado. Senão perderia a essência. Não queria nada polido.” Este mês, Cícero enfim irá tirar oficialmente as canções do apartamento onde mora sozinho, no bairro do Botafogo, no Rio – a primeira versão em CD do álbum sairá pela DeckDisc, “com encarte mais caprichado e arte trabalhada, porque o orçamento aumentou”, comemora.

Para Cícero, tudo é uma questão de ter sorte na vida. “Digo que estou sendo muito mimado, conhecendo gente que eu admirava há tempos, como o Marcelo [Camelo] e o Paulinho [Moska]. Eu me sinto aprovado, que acreditei em algo que faz sentido e que não era uma viagem só da minha cabeça”, ele pondera. “Mas estou começando agora, não quero me afobar, e é isso que a internet faz. De repente, seu disco já é o melhor do ano. E é melhor não acelerar para não perder a noção. É bom ir devagar. Uma coisa de cada vez.”