Festa Urbana

Comandado pelo Foo Fighters, Lollapalooza Brasil comemora mais acertos do que erros

Pablo Miyazawa Publicado em 10/05/2012, às 14h21 - Atualizado em 11/05/2012, às 17h03

Dave Grohl, o homem-show;

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Provando que festivais são o único investimento de retorno garantido na indústria musical, a primeira edição do Lollapalooza Brasil se desenrolou de acordo com a tradição de 20 anos que a marca carrega. Realizado no Jockey Club (SP) em 7 e 8 de abril, o evento exibiu Foo Fighters e Arctic Monkeys como atracões principais e comemorou 135 mil ingressos vendidos (75 mil no primeiro dia e 60 mil no segundo, de acordo com dados da organização).

“Estamos satisfeitos. Conseguimos antecipar alguns problemas e também atraímos marcas fortes”, diz Leonardo Ganem, presidente da GEO Eventos, que garantiu ter contrato assinado para dar continuidade ao festival nos próximos nove anos. “Tanto o Perry [Farrell, fundador do Lollapalooza original] como nossos sócios americanos, a C3 e a WME, não poderiam estar mais felizes. Eles sabem a complexidade de se montar um evento desses e ficaram impressionados com a qualidade do nosso primeiro ano.”

Lollapalooza: a cobertura completa do festival.

Circulando com a família pelo backstage, o próprio Farrell exibia surpresa com o êxito da empreitada. “É nosso primeiro ano no Brasil e já temos uma noite esgotada”, diz. “Nunca havia visto algo assim.”

Em se tratando de um evento de grande porte em área urbana, tudo funcionou como o esperado. Se chegar ao local não foi um problema, o retorno para casa se revelou um transtorno para quem dependeu do transporte público: relatos apontaram superlotação das estações de metrô, que encerraram atividades no horário normal, sem uma flexibilidade maior por conta do evento. Não foram poucos os que preferiram caminhar por quilômetros em busca de áreas menos movimentadas, para só então embarcar nos escassos táxis ou ônibus. Dentro do Jockey, os problemas também se relacionaram à lotação. Apesar da extensa área livre, foram inevitáveis as aglomerações ao redor dos caixas que vendiam fichas para comida e bebida – no sábado, o tempo de espera superou 40 minutos. “Havia muita gente e o processo gerou filas demais”, concordou Ganem. A solução para a 2013, ele adianta, já está planejada: “Pretendemos fazer o festival em três dias e reduzir o público para o mesmo número do que havia no segundo dia”.

Na música, o Lollapalooza Brasil atirou para todos os lados e mais acertou do que errou. Por volta de 50 atrações se dividiram em quatro palcos e no espaço infantil Kidzapalooza (que permaneceu vazio). A tenda eletrônica destacou a festa-rave de Skrillex, enquanto novatos – Foster the People, Band of Horses, Cage the Elephant – tiveram recepção digna de banda consagrada. Do lado brasileiro, veteranos como Wander Wildner, Marcelo Nova e Velhas Virgens foram bem recebidos, enquanto O Rappa (escalado para tocar no Lollapalooza EUA, em agosto) também ganhou o público. Intenso, porém, atrasado, o show do Racionais MC’s terminou minutos após a última atração do domingo, o Arctic Monkeys.

Mas o primeiro Lolla BR será mesmo lembrado pela presença do Foo Fighters, que ofereceu aos fãs duas horas e meia de hits, improvisos e camaradagem. “Não fizemos porra nenhuma, chegamos aqui ontem à noite”, Dave Grohl comentou antes do show. “Da próxima vez, vamos chegar antes”, garantiu, antes de revelar o truque para conquistar a plateia de imediato. “Vamos começar com ‘All My Life’. Espere para ver o que acontece. É uma puta loucura!”