Josh Brolin fala sobre MIB: Homens de Preto III

"Sempre escolho que filme quero fazer julgando pelo quanto de medo eu sinto", afirma o ator em entrevista às Rolling Stone Brasil

Stella Rodrigues Publicado em 21/05/2012, às 13h56 - Atualizado em 25/05/2012, às 12h15

Josh Brolin
Divulgação

Josh Brolin e Will Smith passaram pelo Brasil para divulgar o terceiro filme da franquia MIB: Homens de Preto e conversaram com a Rolling Stone Brasil sobre o aguardado lançamento.

Abaixo, Brolin comenta como foi encarnar uma versão mais jovem de Tommy Lee Jones, o fato de ainda ser lembrado por Os Goonies e como escolhe os filmes em que atua.

Clique aqui para ler a entrevista com Will Smith.

Como foi pular nesse trem em movimento que é o MIB?

É mesmo, é um trem em movimento, não é? Eu gosto do desafio e do medo, sempre escolho o que quero fazer julgando pelo quanto de medo eu sinto. Foi assim com W., com Milk - A Voz da Igualdade. Esse não foi um papel fácil e a ideia de quebrar essa parceria icônica entre Will Smith e Tommy Lee Jones, meio que redescobri-la, foi muito atraente e muito assustadora. Mesmo agora, que já sei que tivemos um bom resultado, fico pensando se dei conta do recado. Se pensar a respeito, foi uma decisão muito burra da minha parte entrar entre eles, é como separar Mel Gibson e Danny Glover em Máquina Mortífera.

Algo muito impressionante nos primeiros dois filmes é a falta de sorriso no rosto de Tommy Lee, a forma como os lábios dele formam uma linha quando ele passa por alguma emoção. Como você estudou o rosto e a atuação dele em detalhes para reproduzir?

Foi isso que mais veio do medo. Curiosamente, fiz três filmes com Tommy Lee, mas nunca dividi uma cena com ele. A cadência da voz dele, a forma como fala, é muito particular, essa foi a parte mais difícil. Fui para a cidade dele no Texas estudar e ninguém lá falava como ele. Nem adiantou ir para lá. E para piorar essa cadência, K é um personagem, não é Tommy, então é mais específico ainda. Acho que vi o primeiro filme umas 60 vezes. O segundo só vi algumas. O lance que ele faz com os lábios e o rosto... não sei explicar, mas nos primeiros dias de filmagem meus olhos estavam muito inchados, e eu nem sabia o motivo, só sei que funcionou perfeitamente!

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Como foi sua experiência dos anos 60 [ que é quando o longa se passa?]

Eu adorei. Falamos na coletiva de como os alienígenas foram feitos usando a imagem que se tinha deles na ficção naquela década. Eu amo a ideia de fazer maquiagem ruim de propósito, no estilo Perdidos no Espaço. Eu nunca tinha feito um filme em outra era antes. Gostei tanto que depois acabei decidindo fazer The Gangster Squad, em parte porque se passava nos anos 40. Agora quero cobrir todas as eras!

Will tem os filhos seguindo os passos dele mas, no seu caso, você que seguiu os passos do seu pai. E quando você era jovem, não era muito fã do show business...

Eu ainda não sou! [risos]

Mas agora você está nele. Como se sente em relação aos seus filhos e esse mundo do entretenimento?

Minha filha está estudando atuação em Nova York. Ela é muito esforçada e talentosa. Ela não tem certeza, mas me disse que queria tentar atuação e fiquei pensando “por quê???”. Você não deseja isso para seus filhos, é tanta rejeição, tanto “não”. E ela vem de uma família de atores, então todo mundo acha que só consegue trabalhos por causa disso. O que não é verdade. Mas talento é talento. Eu comecei em uma eletiva da escola, subi em um palco e amei. Cada um faz por motivos diferentes, mas acho que minha filha tem um talento que eu e meu pai não chegamos nem perto de ter. Além de trabalhar duro, o que é importante.

Você dirigiu um curta recentemente. Esse é um caminho que quer seguir?

Vou dirigir um filme com a Warner Bros. no ano que vem, na verdade. Se chama Pitz & Joe, trata-se de uma peça que fiz há algum tempo. Estamos adaptando e vou rodar na Califórnia.

Os Goonies foi o primeiro filme que fez, há um tempão. Você ainda é parado na rua pelos fãs que querem falar desse trabalho e não dos mais recentes?

Sim, sempre. Teve um período de uns dez anos que eu não queria nem ouvir esse nome. Eu não tinha nenhum outro filme que as pessoas tivessem visto. Então, 20 anos depois, passava na rua e ouvia “mano, esse é o cara de Os Goonies”. Depois, graças a Deus, viram outros filmes. Agora consigo curtir o tema. Martha Plimpton, que fez Stef, contou uma vez que estava fazendo uma peça clássica e incrível em um teatro maravilhoso de Nova York. Quando ela entrou em cena, alguém berrou de lá do fundo: “Goonies”! Agora superamos e eu acho que foi o filme em que mais me diverti, foi a melhor experiência possível para um primeiro papel no cinema.