A nova invasão britânica: boy bands

Por dentro da incrível ascensão do One Direction e do Wanted

Por Andy Greene/ Tradução: J.M. Trevisan Publicado em 18/05/2012, às 11h44 - Atualizado às 12h18

O One Direction é a nova febre das garotas norte-americanas
AP

Foi uma cena que ninguém testemunhava desde a época em que Backstreet Boys e ‘N Sync mandavam nas paradas há mais de uma década: em 12 de março, 15.000 adolescentes e pré-adolescentes estridentes se amontoaram em uma gravação do programa Today no Rockefeller Center, em Nova York, para pelo menos dar uma espiada no One Direction (foto), a nova boy band britânica-irlandesa atualmente no topo das paradas. “Muita gente acampou o final de semana todo por causa desses cinco jovens”, diz a coapresentadora Natalie Morales. “A One Direction mania tomou conta de Manhattan!”

Galeria: as maiores boy bands de todos os tempos.

E eles não vieram sozinhos – outra boy band do Reino Unido, o Wanted, acabou de emplacar um single na posição número 3, “Glad You Came”, jogando “What Makes You Beautiful”, do One Direction, para a posição 9. “Há dois anos, estávamos tocando para sete pessoas em uma casa noturna”, diz o vocalista do Wanted, Tom Parker, que começou sua carreira em um grupo montado como um tributo ao Take That, chamado Take That II. “Agora estamos tocando em arenas e estádios. É muito louco.”

Nos últimos meses, o One Direction e o Wanted têm viajado pela América do Norte causando por onde passam um nível de pandemônio comparado ao da Beatlemania. Ao se apresentar recentemente na Canadian TV, os integrantes do One Direction se depararam com milhares de fãs nas ruas. “Sete pessoas tiveram que ser levadas porque tiveram hipotermia por ficarem acampadas naquele frio a noite toda”, diz Niall Horan, que faz parte do grupo. Outro integrante, Harry Styles, acrescenta: “Ter garotas gritando seu nome não é algo com que você se acostuma – é esquisito”.

O Wanted tem histórias parecidas. “Em Dallas, uma garota pulou para dentro do ônibus quando a gente já ia sair”, conta Max George. “Ela se recusou a sair – ‘Não vou embora! Vou ficar aqui e viajar com vocês, meus pais disseram que não tem problema’. Nossa segurança teve que ser um pouco brusca.”

O One Direction surgiu quando seus cinco membros eram artistas solo prestes a serem eliminados da versão britânica do The X Factor. “Eu tinha esse mau pressentimento de que talvez não devêssemos perdê-los”, diz o criador do programa, Simon Cowell. “Quando eles vieram à minha casa na Espanha, eu soube que eles fariam sucesso um milésimo de segundo depois de eles começarem a cantar. Quando eles saíram, pulei da minha cadeira e gritei: ‘Esses caras são incríveis!’”

Cowell juntou os adolescentes, fechou contrato para um disco e em poucos meses os cinco galãs estavam sendo ovacionados por fãs desesperadas em todos os lugares. Em março, o disco deles, Up All Night, estreou na posição número um nos Estados Unidos, arrancando Bruce Springsteen do topo. Nenhum grupo britânico havia estreado na primeira posição com seu primeiro lançamento – nem mesmo os Beatles.

Ao contrário das ondas anteriores de boy bands, que passaram anos tocando em shoppings e escolas, o One Direction explodiu graças a uma estratégia agressiva nas redes sociais, construída em volta de um concurso chamado “Bring 1D to US” [“Traga o 1D para os Estados Unidos”], em que fãs competiam para trazer a banda para sua cidade via desafios no Twitter e no YouTube, que os encorajavam a recrutar seus amigos. “A Columbia começou a trabalhar na campanha meses antes deles chegarem”, diz o empresário do grupo, Will Bloomfield. “Esses caras vivem online, e os fãs deles também.”

E ambos os grupos quebram o molde padrão das boy bands dos anos 90, com suas danças coreografadas e roupas combinadas. “Todos nós tocamos instrumentos, não dançamos e não nos vestimos como as boy bands costumam se vestir – estou usando jeans preto e Converse nesse exato momento”, diz Parker, do Wanted. Horan, do One Direction, acrescenta, “Não sabemos dançar, então não tinha mesmo jeito.”

O timing desta nova invasão britânica não podia ser melhor. Outros pop stars da faixa etária que vai da pré-adolescência aos vinte e poucos, de Jonas Brothers a Miley Cyrus, entraram em declínio em anos recentes, e Justin Bieber celebrou seu décimo oitavo aniversário tomando o rumo do R&B ao estilo de Justin Timberlake, com seu novo e arrasador sucesso “Boyfriend”. Isso deixa um enorme vazio para os programadores das rádios que procuram teen pop puro e simples. “Miley passou de uma artista que dava shows para meninas de 6 a 12 anos para uma cantora que gira fazendo pole dance no palco”, diz o vice-presidente de programação da KISS FM, John Ivey. “O One Direction tem grande presença nas redes sociais, vende muito bem seus singles e é capaz de esgotar os ingressos para seus shows.”

E Cowell está confiante que o fenômeno vá se tornar ainda maior este ano. “Muitas coisas na música acabam completando seu ciclo”, diz ele. “E quando você acha que está tudo acabado e vai ter que gastar milhões de libras em marketing, você descobre esta coisa incrível chamada ‘poder do fã’. É fantástico e de graça. Eu adoro.”

O One Direction foi até obrigado a recusar um pedido da família Obama para visitar a Casa Branca. “Encontramos Michelle Obama no Nickelodeon Kids’ Choice Awards”, comemora Styles. Horan completa: “Sou um grande fã de Obama. Eles nos convidaram para a Easter Egg Roll [uma festa de Páscoa tradicional na Casa Branca], mas não pudemos ir porque já tínhamos uma turnê marcada na Austrália. Não é sempre que você recusa um convite para ir até a Casa Branca.”