Quando o Rock Vem do Coração

Cláudia Boechat Publicado em 10/05/2012, às 14h29 - Atualizado às 14h32

No mesmo local onde funciona o Instituto Rolling Stone há também uma série de outras ações sociais. E, como o destino tem lá suas artimanhas, o garoto Vinicius, 12 anos, surdo-mudo desde que nasceu, acabou entrando no mundo do rock and roll. Como Beethoven, ele também consegue distinguir graves e agudos, som limpo e som distorcido. E assim, com o professor explicando para ele o que é uma tablatura por meio de gestos improvisados, ele entendeu que os traços no monitor representavam as casas da guitarra e que os números representavam os dedos a serem usados. Vinicius emitiu os primeiros acordes. Chorou. Um sonho que parecia impossível até então estava se realizando. Em vez do som alto da guitarra, foram as lágrimas quase silenciosas de Vinicius que emocionaram a sala de aula. Lágrimas de alegria do menino que não ouve, mas que sonhava com o rock.

A música que o menino tocou na primeira vez que pegou em uma guitarra foi “Que País É Esse” (Legião Urbana). Talvez Denise, a mãe do garoto, possa mostrar a letra para ele. Os dois se comunicam usando a linguagem de sinais. Foi dado apenas o pontapé inicial na história musical de Vinicius, objetivo maior do Instituto Rolling Stone, voltado para o ensino de guitarra e rock and roll para crianças que nem sonhariam participar de um curso destes.

Denise tinha ido ao Centro Cultural Rio Verde, onde funciona o Instituto, em busca de atendimento por profissionais de um posto de saúde que fazem um trabalho voluntário lá. Ouviu a música da garotada que estava na aula de guitarra e pensou no filho, que desde pequeno sentia e gostava da vibração do rock. Imediatamente perguntou se podia levá-lo para assistir às aulas e conversou sobre as dificuldades que o menino poderia ter. Pedido aceito, deu nisso: rock e muita emoção. Vinicius está tendo uma rara oportunidade de deixar um novo talento florescer. É pra isso que existe o Instituto Rolling Stone. O resto fica por conta dele e... do destino. Que a história do menino surdo-mudo que nunca soube quem foi Beethoven, que nunca ouviu música clássica, mas se encantou com os acordes musicais, tenha um final tão surpreendente e emocionante quanto o começo. Isso dá rock.