Pulse

Moleques sem Freio

Coletivo de rap ConeCrew Diretoria estoura na internet, mas também se envolve em polêmicas tocando ao vivo

Marcos Lauro Publicado em 19/06/2012, às 17h09

SEM PUDORES O ConeCrew dispara a metralhadora verbal nos shows
SÉRGIO BLAZER/DIVULGAÇÃO

O ConeCrew Diretoria é formado por cinco MCs e um beatmaker da zona oeste do Rio de Janeiro. Nos microfones estão Rany Money, Cert, Batoré, Ari e Maomé. No sampler MPC, usado também nas apresentações ao vivo, está Tiago Papato (ou Papatin). Todos têm entre 25 e 26 anos de idade. Fizeram o primeiro clipe oficial em 2009, da música “Lá Pa Lapa”. Desde então, o vídeo já chegou a quase dois milhões de visualizações. “Fizemos sem roteiro e custou só R$ 30”, diz Papatin, que dirigiu o clipe.

Já no segundo clipe, lançado em abril, houve um salto. Com um orçamento de cerca de R$ 10 mil, “Chama os Molekes” alcançou um milhão de espectadores em apenas três dias – atualmente está perto de 2,3 milhões de visualizações no YouTube. No vídeo, o soulman Hyldon, apelidado de Padrinho, comanda um grupo que discute uma suposta má fase da música brasileira. Na mesa também estão Tico Santa Cruz e Helio Bentes, do grupo de reggae Ponto de Equilíbrio. “Chamamos um amigo para representar cada estilo e mostrar que está todo mundo unido”, completa Papatin. No clipe, também aparecem MC Catra e Marcelo D2, entre outros.

Essa familiaridade com a linguagem de vídeo vem do próprio Papatin, que comprou uma câmera em 2009 e começou a filmar as viagens do grupo. “Os moleques são doidos, então a galera começou a curtir as pirações dos vídeos que eu fazia. Queria ver a zoeira no ônibus, a zona no quarto de hotel...”, diz Papatin, que acaba sendo também um freio para as maluquices da trupe. “Eu acabo meio que organizando as coisas, mas é tudo amigo de infância, irmão mesmo”, completa.

O show que o ConeCrew fez no Cine Joia, em São Paulo, é prova de que essas maluquices podem ser mal interpretadas. Durante um improviso, um dos MCs disse frases que foram interpretadas como homofóbicas por parte da plateia. “Uns 30% do show são feitos no improviso. Então tem dia que sai bom e tem dia que sai uma merda”, explica Papatin. “Na ‘doidêra’ a gente rima zoando com alguma coisa ou alguém. Sobra pra artista, pra mídia e até pra plateia. Isso vem do clima de batalha de MCs, que foi nossa escola. Tem vezes em que a gente divide a plateia em dois lados e fica um MC defendendo um lado e zoando o outro. Aí eles não perdoam ninguém.”

A resposta para a estranheza que o grupo carioca provocou em parte da plateia paulistana pode estar na diferença entre o rap das duas cidades. “O de São Paulo é mais correto, politicamente falando, mais politizado também“, define Papatin. “A gente não. É zoeira de moleque de colégio, sem freio. E entre a gente e nosso público, por mais que algo saia mais pesado, todo mundo ri no final.”