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Miguel Sokol Publicado em 19/06/2012, às 17h08 - Atualizado às 17h09

O vazamento de fotos de Carolina Dieckmann inaugurou uma nova era no Brasil
MAURICIO NAHAS

Meu grande amigo e pensador Bubba diz que só há um meio eficaz de impedir que fotos sensuais vazem na internet: não tirando-as. Eu concordo, mas não julgo. E o fato é que as fotografias de Carolina Dieckmann terminaram nas páginas policiais dos jornais, muito justamente, aliás: afinal, é inegável tratar-se de um crime canalha, mas não é só isso. Não mesmo.

Eu desconfio que Carolina, mesmo sem querer, tenha inaugurado um novo modelo para a nudez de celebridades no Brasil, amparada fora dele por ninguém menos que Scarlett Johansson. Grandes invenções surgem simultaneamente, é o que chamam de sincronicidade. E acontecem sem querer, muitas vezes vitimando o próprio criador, vide o forno de microondas: em 1945, Percy Spencer trabalhava em um radar quando notou que as microondas da sua engenhoca tinham derretido um chocolate no seu bolso. Seria um fracasso, não fosse pela perspicácia de Spencer.

Então, onde estaria a perspicácia de Carolina? Esqueça o que há de vil no caso e concentre-se nas fotos.

Perspicácia 1: não há photoshop, este mal que transforma toda mulher numa espécie de picolé de acrílico. Perspicácia 2: não há profissionais por trás das lentes manipulando luzes, sombras, figurinos, cabelo, maquiagem e, mesmo assim, Carolina está linda. Perspicácia 3: o cenário, em vez de uma praia impossível da Grécia ou um castelo irreal da França, é verdadeiro, pessoal, e bem por isso merece uma segunda, terceira, quarta olhada, tanto que o minucioso Bubba foi reparar em um rodo velho em um canto e passou horas em choque se perguntando: “será possível?”, “será possível?”...

Tudo isso para não falar da perspicácia que é mostrar aquele corpão sem ter de se sujeitar às revistas de mulher pelada que, cá entre nós, já viveram dias melhores. Há 15, 20 anos, posar nua era coisa de quem estava no auge, era sinônimo de atitude. Pergunte para a Marina Lima ou Cláudia Ohana! Mas hoje, 10 dos 12 ensaios anuais são dedicadas a estrelas que já nascem ex (BBB) celebridades, portanto não é de se estranhar que o caso Carolina seja um fenômeno: em cinco dias, as fotos tiveram, por baixo, oito milhões de acessos. A invenção casual de Carolina Dieckmann pode não ser uma prática ainda, mas o norte está apontado: o autonudismo. Ou seja, em um futuro nem tão distante, quando escreverem a história da mulher nua no Brasil, terão de dividi-la em “antes de Carolina e depois de Carolina”. Ou melhor, AC/DC.