7 PERGUNTAS - Sentindo Saudade

Roger Waters fala sobre Levon Helm e a última vez em que tomou ácido

Austin Scaggs Publicado em 06/07/2012, às 12h22 - Atualizado às 12h23

PLANOS Roger Waters pensa em gravar disco de inéditas após turnê
Thais Azevedo

Desde 2010, Roger Waters já fez quase 200 shows ao redor do mundo com The Wall Live, seu tributo solo ao clássico álbum do Pink Floyd, lançado em 1979. “Quando escrevi The Wall, imaginei que era sobre eu e meu pai”, diz o baixista do Floyd, cujo pai, piloto na Segunda Guerra Mundial, foi abatido nos céus quando Waters tinha 5 meses de idade. Hoje, ele vê a enorme parede que é construída e destruída no palco todas as noites como uma metáfora maior para os horrores da guerra. “Essa história é muito mais importante que a minha”, diz Waters, 68, que trouxe recentemente o show ao Brasil.

The Wall Live é o projeto mais gratificante da sua carreira?

Sim. Vai além de qualquer coisa que eu pudesse imaginar. Veteranos de guerra vêm todas as noites e eu converso com eles no intervalo – e não é sobre política. Há esse sentimento de que estamos todos juntos nisso.

Qual foi a conversa mais emocionante que você teve com um deles?

Foi na Itália. Estava falando com um grupo, e um dos veteranos ficou mais afastado, sem falar nada. Quando eu estava saindo para voltar ao palco, ele veio até mim e disse: “Seu pai ficaria orgulhoso de você”. Não consegui me controlar. Fiquei muito emocionado.

Tem falado com David Gilmour desde que ele tocou “Comfortably Numb” com você em Londres há um ano?

Não. Estou sempre em trânsito, e ele vive uma vida mais sedentária em algum lugar no sul da Inglaterra. Naquela noite, eu o agradeci, e conversamos, mas não foi um papo longo.

Qual é seu disco favorito dos últimos dez anos?

Dirt Farmer, do Levon Helm. Ah, como sinto falta dele. Que grande homem.

Levon, Rick Danko e Garth Hudson [integrantes da The Band] ajudaram você a apresentar The Wall em Berlim, em 1990. Como aconteceu?

Eu os convidei! Amo a música deles, e todos eles foram absolutamente incríveis. Levon veio falar comigo depois do show. Coçou a barba e disse: “Roger, gosto do seu estilo, cara. Quero que fique com o meu chapéu”. Ele tirou seu boné de beisebol do Arkansas Razorbacks e deu para mim. Tem sido meu boné de pescaria desde então, e é um dos meus bens mais preciosos.

Já pensou no que vai fazer depois da turnê?

Recentemente, comecei a compor uma música nova que pode ser o ponto chave de pelo menos mais um álbum. Chama-se “If I Had Been God”. Acho que estou preparado para mexer nesse assunto – na minha idade, me importo mais com a verdade do que com as críticas que podem vir. No momento, ando preocupado com os grupos religiosos extremistas de todo tipo.

Você disse a Howard Stern que tomou ácido duas vezes: uma delas foi em uma ilha grega, e a outra você não contou. Onde foi?

Em uma casa noturna no centro de Nova York, mais ou menos em 1968. Antes de bater, eu consegui voltar ao chalé em que estava hospedado. Quando as coisas ficaram loucas, eu não conseguia ficar sentado na sala, que era laranja e verde. Consegui seguir até metade da Oitava Avenida e empaquei. Fiquei em uma loja de conveniência o resto da noite. Nunca mais tomei.