Instituto Rolling Stone: aprendendo a fazer rock

Histórias emocionantes de crianças que se superaram fazendo rock and roll

Cláudia Boechat e Thais Azevdo Publicado em 06/07/2012, às 12h15

Foi no Instituto Rolling Stone que Vinícius, 11 anos, teve seu primeiro contato com a guitarra. Por ser surdo-mudo, ele podeia ter dificuldades para conquistar seu espaço na música como um grande guitarrista, mas a vibração do rock é algo irresistível e o garoto já chegou com pose de astro.

A capacidade de aprendizado de Vinícius tem sido impressionante. No primeiro dia de aula, já montou seus primeiros acordes e tocou sua primeira música sem dificuldades. Agora, além da guitarra, ele quer experimentar a bateria. Seus olhos encheram de lágrimas e não havia nada que segurasse o menino sentado na cadeira enquanto se divertia fazendo air drums, emocionado, assistindo a um solo do Tommy Lee, baterista do Mötley Crüe, em um vídeo dos anos 80. Não há limites para quem realmente não tem medo de tentar algo novo. Denise, mãe de Vinícius, apoia qualquer iniciativa que faça seu filho feliz; e o sorriso do garoto não deixa dúvidas, ele está gostando do que faz.

Parecia um dia comum no Instituto Rolling Stone. As crianças ensaiavam para tocar no grande show, a primeira apresentação que farão para os pais no mês de julho. De repente, surge um dedilhado virtuoso, uma música diferente, saindo das mãos de um garoto de apenas 9 anos. Gustavo estava tocando a introdução de “Wasted Years”, do Iron Maiden. Foi uma surpresa para todos, já que a música não estava no repertório da turma. Como ele aprendeu? “O professor passou o vídeo dessa música na aula de história do rock, achei superlegal, ouvi em casa várias vezes e aprendi a tocar.” José, pai de Gustavo, comentou que seu filho mudou muito em casa. “Ele passava o dia no vídeogame, agora não sai da frente das vídeo aulas de guitarra que encontra por conta própria na internet.”

Sem instrumento para praticar em casa, alguns alunos realmente surpreendem com o rápido desenvolvimento musical. Desde seu primeiro dia no Instituto RS, Marco, 11 anos, chamou a atenção por sua concentração e determinação. Com sua camiseta do Iron Maiden como uniforme de aula, ele realmente leva a sério a ideia de que para ser um bom músico, praticar nunca é demais. Mesmo não tendo guitarra em casa, o garoto arrumou um jeito de treinar aos finais de semana: “Sempre que passo em frente a uma loja de instrumentos, ele me faz entrar para testar as guitarras, mostrando com orgulho o que aprendeu no Instituto. Não tenho como comprar uma guitarra para ele, mas apoio o interesse dele nas aulas de música e faço o que posso para incentivá-lo”, diz Fabiana, mãe de Marco.

O aprendizado musical é um trabalho em equipe: família, escola e Instituto RS, ajudando a mudar o futuro dessas crianças. Mas no final quem sobe no palco para fazer o show, são os alunos, isso ninguém pode fazer por eles. Mais que o virtuosismo no instrumento, as grandes lições deixadas pelas aulas de música são o desenvolvimento do interesse pela arte, a convivência em grupo e a disciplina. Mais que uma sequência de notas, o rock traz atitude a esses jovens. Atitude de ensinar o amigo a tocar. Atitude de prestar atenção na aula e respeitar o colega. Atitude de subir em um palco e mostrar com música que, nas palavras do AC/DC, “rock and roll não é poluição sonora”, é a realização de um sonho, depois de meses de muito treino e muita disciplina.