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6 PERGUNTAS - Voz de Ouro

Frente ao Alabama Shakes, Brittany Howard descarta comparações

Pablo Miyazawa Publicado em 11/08/2012, às 11h42 - Atualizado às 11h42

SEM COMPARAÇÃO Brittany (à frente) não acha que sua voz se parece com a de Janis e Otis
Divulgação

Brittany Howard ainda não consegue esconder o desconforto como a porta-voz de uma banda de sucesso. Intensas performances ao vivo e um disco irrepreensível nas paradas (Boys & Girls) fizeram do Alabama Shakes uma das bandas novas mais celebradas de 2012. Finalizando a primeira turnê na Europa, Brittany ainda se espanta com os meandros da fama. “Acabei de sair do banho. Estou no terraço, olhando para os Alpes Suíços, e o clima está perfeito. Então está tudo bem.”

O Alabama Shakes virou a sensação do ano. Quais as novidades difíceis de encarar?

Acho que são as viagens. Gosto de viajar, mas nos meus próprios termos [risos]. Às vezes ficamos longe de casa por muito tempo. A gente deve voltar em três dias e logo teremos de partir de novo. Recentemente, tivemos três semanas de folga, o que foi bom, mas eu não queria viajar de novo. É difícil, porque por mais que eu adore tudo isso, também curto ficar com amigos e família.

Quais eram as expectativas quando o primeiro EP saiu?

A gente estava saindo em turnê com o Drive-by Truckers e nem tínhamos um CD lançado. Estávamos trabalhando no disco e decidimos: “Vamos escolher essas quatro músicas bem diferentes e deixar o povo ouvir”. Seria como um aperitivo do disco. Quando fizemos essas coisas, eu jamais poderia esperar... isso tudo. Pensava que poderíamos fazer umas turnês de vez em quando. Não esperava que poderia largar o emprego e fazer só isso da vida.

As letras de Boys & Girls são recheadas de experiências pessoais. Como você se define como letrista?

Não tem uma regra. É aquele tipo de coisa: você precisa cantar sobre as coisas que entende. Foi isso o que comecei a fazer. Canto sobre o que sei e é simples assim. Eu não escrevo sobre ideias complexas – são só pensamentos, lembranças, coisas sobre gente que conheço. É sobre isso que são essas músicas: o meu mundo.

Você começou a escrever quando era criança, sem nenhum estudo formal. Você crê nessa ideia do “dom” de compor naturalmente?

Eu não sei! Acho que muita gente tem esse dom e nem fica sabendo. E tem quem descubra isso na época da escola e daí dedica a vida a isso. Eu conheço gente assim que é brilhante. Dá para fazer de qualquer maneira: uma canção é uma canção, não importa se foram usadas todas as notas musicais nela ou não, entende?

Quais os elogios mais frequentes a você?

De vez em quando, pessoas na rua precisam me falar sobre o que sentiram quando escutaram uma das canções pela primeira vez. E sempre citam músicas diferentes, o que é ótimo. Tipo “Eu ouço essa música quando acordo de manhã e ela me ajuda a superar o dia, porque odeio meu trabalho.” Gosto do fato de a música significar algo.

Sua voz tem sido comparada a de cantores como Janis Joplin, Otis Redding. Isso irrita?

Não acho que eu necessariamente soo como a Janis Joplin. Não consigo escutar isso na minha voz. Acho que falam isso pelo fato de ela cantar rock. Gosto de pensar que estou simplesmente cantando, e essa é a maneira mais natural que sei fazer. Muitas vezes me comparam a alguém como forma de me fazer um elogio. Então, não ligo. Vão fazer isso de qualquer jeito!

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