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Buscando a Beleza do Perigo

Disco do duo Beach House mistura beleza exuberante e muitos pensamentos sombrios

Will Hermes Publicado em 10/08/2012, às 18h28 - Atualizado às 18h28

ESCURECENDO O Beach House está mais sombrio no quarto álbum
LIZ FLINTZ

É manhã, e Victoria Legrand pisca sob a luz artificial do hotel em Nova York. Ela e o parceiro de Beach House, Alex Scally, estão discutindo o deserto do West Texas, onde gravaram o quarto álbum, Bloom. “É lindo”, diz Scally. “Mas é mortal. Há escorpiões e cascavéis.” A ideia de paisagens lindas com um fundo macabro se encaixa no clima de Bloom. A estreia do Beach House, Teen Dream (2010), era doce e intimista. O trabalho mais recente é sombrio. As músicas continuam exuberantes, mas a ameaça está à espreita.

Scally e a francesa Victoria formaram o Beach House em 2004, em Baltimore. A abordagem musical minimalista surgiu de cara, e ambos continuaram na cidade de origem, recusando-se a aderir ao exôdo em massa das bandas indie para o Brooklyn, em Nova York. “Moramos em um lugar onde podemos criar nossa própria realidade delirante”, ela diz. Conforme a visibilidade do Beach House cresce, a voz da vocalista tem sido exigida em mais lugares; ela recentemente se juntou ao Air em uma faixa de Le Voyage dans la Lune. “Fiquei muito envaidecida”, diz. “Mas não colaborei muito. Estou focada no que estamos fazendo e...” Scally completa: “É o Beach House 100% do tempo.” Ele costuma fazer bastante, finalizar as frases dela. O que deixa uma pergunta: os dois são um casal? “Nós dois moramos sozinhos”, ela diz. “Nosso relacionamento é a música.”