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Mudança Constante

Sem baixista e com novo integrante, Fresno abraça várias camadas sonoras no sexto disco da carreira

Bruna Veloso Publicado em 10/08/2012, às 18h04 - Atualizado às 18h09

CAMINHO NOVO (A partir da esquerda) Bell Ruschel, Vavo Mantovani e Lucas Silveira: banda busca som “épico” em novo trabalho
JORGE LEPESTEUR

Álbum Sem título

Lançamento Setembro ou Outubro

Uma reviravolta inesperada marcou o sexto disco de estúdio do Fresno: Rodrigo Tavares, que mesmo não sendo um dos integrantes originais acabou ajudando a formar a imagem que a banda tem hoje, optou por deixar o grupo pouco antes das gravações. “Na hora em que ele saiu, não tinha ninguém em mente”, conta o vocalista Lucas Silveira, explicando um dos motivos pelos quais os integrantes decidiram não contratar um novo baixista. “Eu não ia chamar alguém só para quebrar galho.” Lucas ficou responsável pelo baixo no álbum, que é também o primeiro com a participação do tecladista Mário Camelo como integrante oficial. “Uns dois meses antes de o Tavares sair ele já era o quinto membro, tanto que o clipe de ‘Sentado à Beira do Caminho’ é com nós cinco”, explica o cantor.

O Fresno foi capa da edição 51 da Rolling Stone Brasil. Leia aqui.

As novas músicas evidenciam a busca por um som grandioso, com orquestra, inúmeros efeitos sonoros e mudanças de andamento constantes. “Quando você vê que a música está apontando para um lado, ou você apaga isso, ou você dá muita força para isso”, Lucas conta, sobre as diversas camadas sonoras. Se Revanche (2010) já evidenciava uma admiração pelo tipo de som de bandas como Muse, o próximo CD reafirma a influência, mas com um espectro muito mais variado. “Vida (ou Biografia em Ré Maior)”, escolhida para fechar o disco, é um bom exemplo disso: em mais de sete minutos de duração, ela passa por boa parte dos gêneros já experimentados pelos integrantes, da balada no piano ao rock industrial.

“Ele tem coisas mais pesadas do que o que está no EP [Cemitério das Boas Intenções, lançado no final de 2011], mas tem coisas mais calmas e melancólicas do que tudo que a gente já fez”, conta o vocalista. A ideia, diz ele, era tentar olhar, sem nenhum tipo de filtro, para o que a banda queria no momento. “Procurei tirar tudo que fosse um reflexo ou uma resposta a um soco que tenham dado na gente, e deixar a coisa o mais natural possível.”

“Infinito”, o primeiro single (que ganhou um clipe com cenas gravadas no espaço), mostra que Lucas

continua amadurecendo como compositor, amparado pela mudança que a banda vem promovendo na roupagem das músicas nos dois últimos discos. “Acho que a gente encontrou a nossa verdade”, resume o baterista Bell Ruschel.