De Volta para o Futuro

Grupo paulistano O Terno se inspira em power trios clássicos para fazer rock contemporâneo

Tiago Agostini Publicado em 17/09/2012, às 16h07 - Atualizado às 16h07

FORÇA A TRÊS (A partir da esq.) Chaves, Bernardes e Peixe: com os olhos no passado
JORGE LEPESTEUR

Eles nasceram todos nos anos 90, mas vivem em um mundo de nostalgia dos 60. O power trio paulistano O Terno – formado por Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme “Peixe” (baixo) e Victor Chaves (bateria) – mirou em bandas como Cream, Jimi Hendrix Experience e The Who para produzir o disco de estreia, 66, lançado neste ano. Pudera: com a atual formação desde 2009, a banda surgiu, ainda no ensino médio, com outro baterista, tocando versões para canções dessas bandas. “Tocar cover foi bom para entender como funcionavam as músicas de que a gente gostava, para usar nas nossas”, confessa Bernardes.

As relações afetivas também deram uma ajuda: 66 foi gravado no estúdio de um amigo do pai do guitarrista, Maurício Pereira, veterano da cena rock paulistana e ex-Mulheres Negras. A banda chegou, inclusive, a tocar com ele logo após a entrada de Chaves, mas pouco recebeu de conselhos. “Ele não dá palpite, quer que a gente descubra as coisas sozinho”, diz o filho. Eles gravaram o álbum em apenas dois dias, ao vivo no estúdio e com o menor número de takes possível, para “não ter muita dúvida do que escolher”, brinca Peixe. Um dos poucos instrumentos que entraram depois foram os teclados tocados por Marcelo Jeneci. “Eu namoro a Laura, que canta com o Jeneci, e um dia falei para ele que tinha um Hammond no estúdio. Ele foi lá e destruiu”, conta Bernardes.

A paixão pela sonoridade antiga virou a música que dá nome ao disco. Nela, O Terno brinca com o dilema de ser uma banda nova com referências de outras épocas. “Se alguém disser que parece com Cream ou outro grupo, vai estar certo. Mas não é igual, pois são as referências do jeito que a gente processou”, adianta o guitarrista. “Nos resta misturar para surgirem coisas novas.” A música ganhou um clipe gravado embaixo d’água, na piscina do Estádio do Pacaembu, em São Paulo. “Compramos instrumentos velhos, enchemos o corpo de pesos, escolhíamos os trechos e gravávamos”, lembra Peixe, aos risos. A repercussão foi imediata. “No outro dia do lançamento, todo mundo na faculdade vinha falar comigo: ‘Nossa, vocês quebraram os instrumentos!”, diz Bernardes.