Momentos Perdidos

Em 1965, os Stones fizeram um filme – e agora ele finalmente será lançado

P.D. Publicado em 18/10/2012, às 11h13 - Atualizado às 12h12

Em setembro de 1965, semanas depois de “(I Can’t Get No) Satisfaction” chegar às paradas, os Rolling Stones aterrissaram em Dublin para fazer quatro shows enlouquecedores em dois dias. O empresário da banda, Andrew Loog Oldham, contratou o cineasta Peter Whitehead para registrar o momento. “Todo mundo já tinha feito um filme, até Gerry and the Pacemakers”, diz Oldham. “Eu queria que os Stones se acostumassem a lidar com a indústria do cinema.”

Agora essas incríveis filmagens – algo do mesmo nível do retrato intimista de Bob Dylan em Dont Look Back – finalmente serão lançadas na forma de um filme. Charlie Is My Darling: Ireland 1965 é um filme cheio de cenas inéditas do começo da febre dos Stones: jams embriagadas em quartos de hotel, fãs alucinadas invadindo o palco e apresentações elétricas de “Time Is on My Side”, “Everybody Needs Somebody to Love” e “Satisfaction”. “Eles soam como os Pistols em 1977”, diz o diretor Mike Gochanour. “É cru.” Gochanour visitou os arquivos dos Stones, em Londres, onde encontrou horas de gravações de 1965 – incluindo uma fascinante cena de Mick Jagger e Keith Richards compondo a folk “Sittin’ on a Fence”, do álbum Flowers. “Quase tive um ataque do coração quando vi”, diz Gochanour. “A parceria que eles costumavam ter, aquilo que Keith conta em seu livro, está tudo bem ali.” Jagger aparece como um cara espantosamente astuto e com ideias bem modernas para um garoto de 22 anos. “Os jovens começaram algo importante se manifestando contra a guerra, amando a todos, e a vida sexual deles se tornou mais livre”, ele declara no filme. “É toda uma base para a sociedade… mas cabe a eles continuar sustentando estas ideias em vez de cair na velha rotina em que seus pais caíram.” Depois de estrear nos cinemas norte-americanos em novembro, o filme será lançado em DVD e Blu-ray.