Lutando para Ressurgir em um Novo Mundo

Soundgarden volta a trabalhar no estilo antigo, mas sabe que precisa se adaptar aos tempos atuais

Paulo Terron Publicado em 12/11/2012, às 15h43 - Atualizado em 22/11/2012, às 11h30

COMO ANTES
Thayil, Cameron, Cornell e Shepherd voltaram a ser o Soundgarden
UNIVERSAL MUSIC/DIVULGAÇÃO

Quando o Soundgarden estreou o primeiro single do novo disco, King Animal, “Been Away Too Long”, a mensagem parecia clara: os 15 anos em que o quarteto de Seattle ficou parado foram tempo demais. “Pareceu conveniente”, diz o vocalista Chris Cornell sobre o título da música, rindo. “Mas foi coincidência.”

O trabalho chega às lojas neste mês, retomando o formato de composição colaborativa que o Soundgarden – completado por Kim Thayil (guitarra), Matt Cameron (bateria) e Ben Shepherd (baixo) – usa desde o começo, no fim dos anos 80. “É o único modo de trabalhar que conheço”, explica Cornell sobre o processo, que coloca cada um dos integrantes ajudando não só nas partes que cabem a seus instrumentos mas em todos os elementos das canções, inclusive nas letras. “Nunca me pareceu um obstáculo”, conta.

“O problema é quando não é assim, aí surgem as dúvidas. Como banda, sempre estivemos acostumados com essas diferentes dinâmicas, as ideias podem nascer de combinações distintas entre os integrantes. Quanto menos houver disso, mais difícil vai ser.” Chris Cornell acredita que essa integração acabou impulsionando para King Animal. “É isso tudo que me agrada nele. Essa luta”, confessa. “Se você comparar com o Badmotorfinger (1991), este é mais linear e tem mais chances de mostrar ao ouvinte quem nós somos.”

Mas nem tudo continua igual. Com a ascensão da venda de música digital, o mercado começou a exigir mais criatividade das bandas – algo que não necessariamente agradou ao Soundgarden. “Quase não há mais lojas de discos, então você precisa dar algo a mais para quem ainda compra essas coisas em lojas de departamentos”, diz, para completar rindo: “Enquanto elas estão ali para comprar uma máquina de lavar”. Para ele, o caminho parece não ter volta. “Queremos que o nosso trabalho tenha uma identidade. Qualquer coisa que você acrescente corrompe essa ideia. Em certo sentido, somos obrigados a nos corromper – senão alguém que entrar na Best Buy, Walmart ou Target não terá a opção de comprar o nosso disco se não fizermos isso. É uma situação que nos faz relutantemente aceitar. Porque uma pessoa que é – ou poderia ser – fã do Soundgarden não teria a opção de comprar nossas músicas se não cedêssemos de alguma forma.”