Sem Parar, Cada Vez Maior

Os Rolling Stones explicam as comemorações do 50º aniversário – e querem continuar na atividade

Brian Hiatt Publicado em 12/11/2012, às 15h43 - Atualizado em 25/11/2012, às 13h07

Galeria brigas: Rolling Stones
AP

Depois de meio século de sucessos, vícios, confusões e desavenças, os Rolling Stones se juntaram em tempo de celebrar o aniversário de meio século no palco. Mas Mick Jagger não está muito a fim de sentimentalismo. “Eu queria que a turnê chamasse ‘Fuck Off’ [foda-se]”, diz o vocalista. “Mas ninguém quis.” Keith Richards acrescenta: “Manter uma banda tanto tempo, principalmente no rock and roll, é provavelmente algo único na história da música. Afinal, foi para isso que nasci: fazer história na música”.

Rolling Stones 50 anos: uma carreira em fotos.

O que os Stones anunciaram até agora não é bem uma turnê: farão quatro shows este ano – em 25 e 29 de Novembro na arena O2, em Londres, e em 13 e 15 de dezembro, no Prudential Center, Nova Jersey, além de um pequeno show-surpresa em Paris, no mês passado. Mas Richards duvida que eles parem por aí. “Minha experiência com os Rolling Stones diz que uma vez que o colosso começa a se mover, não há como pará-lo. Assim, sem querer dar uma resposta afirmativa definitiva – sim. Não estamos fazendo tudo isso para apenas quatro shows!” Os Stones esperam que o ex-guitarrista Mick Taylor (que deixou a banda em 1974) e o baixista Bill Wyman (ausente desde 1993) participem destes shows, mas apenas como convidados em algumas músicas. Richards enfatiza que o baixista Darryl Jones não deve sair. A banda dá de ombros quanto às reclamações sobre o preço de mais de US$ 800 dos ingressos para os melhores lugares. “Como Keith disse: ‘Parece justo’”, diz Wood. “Eu pagaria! Já gastamos cerca de um milhão em ensaios, e não estamos nem na metade. E o palco vai custar milhões e milhões.”

Um fato que influenciou o longo hiato desde o final da turnê A Bigger Bang (2007) foi a luta de Wood contra o alcoolismo. Ele agora está em seu terceiro ano de sobriedade, e espera manter a marca na estrada, embora as turnês anteriores tenham sido sempre um desafio. “No passado”, diz Wood, “havia sempre aquela vodca secreta antes de entrar no palco. Que nunca era só uma, aliás.” Richards também está bebendo menos. “Não exagero mais”, diz ele. “Gosto de uma taça de vinho durante a refeição, mas parei com essa coisa de acordar e beber, sabe? Se larguei a heroína, posso largar qualquer coisa. Não é grande coisa, faço para impressionar. Mas, se me aparecerem com uma droga nova incrível, serei o primeiro a usar, pode acreditar.”

Os Stones parecem tão empolgados com seus ensaios recentes em Paris, que incluíram faixas raramente tocadas, como “I Wanna Be Your Man”, composta por Lennon e McCartney, e a balada “Lady Jane”, de Aftermath (1966). “Quando você entra para tocar, pensa: ‘Ah, sou um velho senil’”, diz Richards. “Mas não é verdade! A energia acumulada nestes cinco anos é incrível.” Para Jagger, se apresentar com os Stones significa fazer jus à sua reputação de maravilha física eternamente jovem, algo que ele afirma ser uma impressão exagerada. “Somos todos humanos”, diz ele, “e ninguém dura para sempre. Por outro lado, você tenta se manter em forma. Obviamente, não dá para fazer [no palco] o que eu fazia quando tinha 19 anos, por isso tenho que fazer outras coisas. Não há milagre na vida.” Mas ele sabe que os fãs esperam que ele seja algum tipo de exceção: “É como um fardo, né? Melhor que eu esteja ok pelo menos.”

A exigência física é ainda mais pesada para Charlie Watts e seus 71 anos, que tem um massagista para as costas a postos depois de cada ensaio. “Ver ele tocando como se não fosse nada, fazendo como se cada batida soasse como fogos de artifício, tudo isso acaba estourando nas costas dele, sabe?’, diz Wood. “Ele sofre terrivelmente.”

Os Stones estão se preparando para serem questionados se esta será a despedida da banda. Mas, como sempre, jamais irão confirmar. “Não é o tipo de cartada que, na minha opinião, deveria ser usada”, diz Jagger, que afirma ainda querer gravar outro álbum dos Stones. “Conheço muitos que apelam para isso, mas o tiro sempre sai pela culatra.”