Pegar ou Largar

Com 30 anos de estrada, Barão Vermelho relança o primeiro disco e sai em turnê especial para celebrar a data

Guilherme Bryan Publicado em 13/12/2012, às 15h58 - Atualizado às 16h00

FESTA DE ANIVERSÁRIO O Barão Vermelho voltou, mas só até março de 2013
GABRIEL WICKBOLD/DIVULGAÇÃO

Quando Roberto Frejat, Mauricio Barros, Dé Palmeira e Guto Goffi, ainda com Cazuza, se reuniram pela primeira vez para fazer um som, em 1981, eles jamais imaginariam que, 30 anos depois, celebrariam a longevidade de uma das mais importantes bandas brasileiras de rock, o Barão Vermelho. Em 20 de outubro, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, eles se juntaram para relembrar os grandes sucessos da carreira e também as faixas menos conhecidas do primeiro e homônimo LP, lançado em 1982. O mesmo show foi realizado na casa noturna Credicard Hall, em São Paulo, em 8 de dezembro, e resultará em um documentário que está sendo realizado pela diretora Mini Kerti com material histórico e inédito. Também é possível que as apresentações sejam registradas em CD e DVD.

A turnê + 1 Dose conta com a formação que o Barão Vermelho mantém desde 1992, com Frejat na guitarra e nos vocais, Goffi na bateria, Peninha na percussão, Rodrigo Santos no baixo, e Fernando Magalhães na guitarra. Também há a participação especial do tecladista Barros e do baixista Palmeira. “Estamos felizes de o grupo estar reunido mais uma vez. Os ensaios foram divertidos, como uma reunião de velhos amigos, o que somos de fato”, comemora Maurício Barros. Os rapazes não tocavam juntos no palco desde janeiro de 2007, e agora percorrerão as principais capitais até março de 2013.

“Fizemos a princípio uma seleção de 56 músicas e tivemos que ir no sacrifício”, explica Goffi. “Nosso lado mais rock foi privilegiado.” Estão ali: “Por Que a Gente É Assim”, “Pense e Dance”, “Bete Balanço”, “Maior Abandonado” e “Pro Dia Nascer Feliz”. “Revisitá-las foi demais! Estávamos com saudades de tocar dezenas dessas canções”, conta Rodrigo Santos. “O repertório tem umas seis, sete músicas do primeiro álbum e foram selecionadas pelo menos duas de cada disco de catálogo do Barão. Algumas se revezam nos shows para variarmos o repertório. São muitas canções, difícil escolher e, se tivesse todas que queríamos, o show duraria cinco horas.”

A grande novidade é mesmo “Sorte e Azar”, que teve a base instrumental regravada pelos integrantes originais, está disponível para download no iTunes e será um bônus da edição comemorativa do primeiro álbum da banda. “Foi um presente dos deuses da música”, comenta Goffi. “Nada mais oportuno para nós, nesta comemoração, termos uma composição belíssima da dupla Frejat-Cazuza, para gravarmos em pleno 2012, com Cazuza morto há 22 anos, cantando melhor que esse monte de merda que somos obrigados a ouvir nas rádios hoje. Que tempo mais vagabundo este agora que escolheram pra gente viver”, complementa, citando um verso de “Milagres”.

Produzido por Ezequiel Neves (que morreu em 2010) e Guto Graça Mello, o disco Barão Vermelho tem clássicos como “Down em Mim”, “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” e “Rock’n Geral”. “O primeiro disco, que estamos lançando remixado, já que era o único do qual não havíamos participado da mixagem, tem como destaque o repertório. Músicas e letras com bastante originalidade, contrastando com nossa inexperiência no estúdio e até nos arranjos. Mas ficamos felizes, pois, apesar de tudo, é cheio de personalidade”, avalia Barros. “Ele rompe com aquele padrão asséptico que vigorava em grande parte dos discos da época. Quatro caras tocando rock básico, alto e distorcido, junto a um cantor berrando letras que remetem à tradição brasileira de canções de ‘dor de cotovelo’ e ‘fossa’”, acrescenta Dé Palmeira.

Mas, como garante um feliz Rodrigo Santos, é bom ficar esperto: “Sugiro que o público corra para a bilheteria quando souber do show em sua cidade, pois, a exemplo da estreia no Rio – que teve 6 mil ingressos esgotados antecipadamente –, a tendência é que em todas as cidades aconteça o mesmo, pois a turnê é curta. Dia 31 de Março de 2013 se encerra a comemoração. Então é pegar ou largar!”