Esse Cara É o Rei

Roberto Carlos volta às músicas inéditas e vai direto para o topo, vendendo mais de um milhão de discos

Pedro Antunes Publicado em 09/01/2013, às 15h53 - Atualizado às 15h56

<b>MUDADO</b> Roberto Carlos também trabalhou com novos músicos
REDE GLOBO/ESTEVAM AVELLAR

Entre tanto “Delícia, delícia, assim você me mata”, versos como “o cara que sempre te espera sorrindo / que abre a porta do carro quando você vem vindo”, de “Esse Cara Sou Eu”, de Roberto Carlos, soam como acalanto para os ouvidos e criaram algo sem precedente no atual mercado fonográfico nacional. A música que embala os protagonistas de Salve Jorge, novela das 9 da TV Globo, virou um compacto de quatro faixas (duas inéditas) e atingiu o assombroso número de um milhão de cópias vendidas em três semanas, chegou ao topo das vendas virtuais do iTunes e liderou as paradas das rádios do país. E as previsões são ainda melhores: em dezembro, o número cresceu em 50% e a expectativa é a de que chegue ao dobro até o Dia das Mães, em maio de 2013. “Não conheço outro artista capaz de lançar um hit inédito dessa magnitude”, diz o presidente da Sony Music brasileira, Alexandre Schiavo. “Surpreendeu a todo mundo, porque não existe um histórico com esse formato.”

Em uma comparação rápida, enquanto o EP Esse Cara Sou Eu chegou a 1.363.225 unidades vendidas até dezembro, os três trabalhos anteriores do artista tiveram um bom desempenho – mas ficaram longe desse número. O ao vivo Em Jerusalém vendeu quase 350 mil cópias, com os temáticos Emoções Sertanejas e Elas Cantam Roberto Carlos ficando em cerca de 394 mil e 750 mil, respectivamente. Cabe notar que o preço sugerido para o disquinho de quatro músicas, R$ 9,90, é inferior ao de um álbum completo tradicional.

A iniciativa do lançamento de Esse Cara Sou Eu se deu em agosto, quando Dody Sirena, empresário do Rei, foi à Sony e disse que Roberto queria lançar as novas “Esse Cara Sou Eu” e “Furdúncio”, que integrariam a trilha da novela global. Para transformar o single em compacto, foram adicionadas “A Mulher Que Eu Amo” e “A Volta”, inéditas na discografia de Roberto, mas já utilizadas em folhetins da emissora carioca.

Fato ainda mais embasbacante: Roberto Carlos está ousando – e não só no formato do disco. Na faixa-título, por exemplo, ele decidiu chamar o baterista Chocolate e o baixista Jorge Aílton para refazerem a cozinha da música, após assisti-los em um show de Lulu Santos. Para “Furdúncio”, um funk melody, chamou o DJ Batutinha. “O Roberto está feliz com ele mesmo. Isso se reflete na música”, diz Guto Graça Mello, produtor do EP e parceiro musical há 12 anos. Isso também se reflete nas rádios. Segundo Vânia Rodrigues, coordenadora da programação musical da rádio paulista Nativa FM, existe um redescobrimento da obra de Roberto: “Detalhes”, “Outra Vez” e “Amor Perfeito” voltaram para as paradas.

Outros projetos estão no gatilho: Reimixed, álbum de remixes, e Roberto Carlos Rock Symphony, que pretende unir o veterano no palco com roqueiros brasileiros. Graça Mello, contudo, diz que o já lendário novo álbum de inéditas de estúdio pode chegar às lojas ainda em 2013. “Para isso, ele precisa parar de fazer tanta coisa”, diz. “Ele sempre afirma: o disco não se termina ou entrega. O disco se abandona.”