A Vanguarda de Volta

Rumo tem discografia relançada e aproveita para relembrar os velhos tempos

Paulo Cavalcanti Publicado em 09/01/2013, às 17h30 - Atualizado às 17h33

À FRENTE O Rumo era considerado difícil pelos críticos
Divulgação

Nos anos 80, o movimento da Vanguarda Paulistana tinha como características a falta de compromisso comercial e o interesse por sons que não estavam nas rádios. Dentro dele, o Rumo foi um dos principais expoentes: um coletivo formado por estudantes da USP que flertava com o samba antigo, tonalidades do jazz e canto falado. O grupo foi formado na metade dos anos 70, atingiu o auge na metade da década seguinte e encerrou as atividades oficialmente no início da década de 90. Dele saíram Ná Ozzetti, grande influência das atuais cantoras independentes, e Paulo Tatit, que formou o aclamado Palavra Cantada.

As edições em vinil dos discos do Rumo viraram raridade. Em 2004, os discos foram reeditados em CD, que logo se esgotaram. Agora, o material volta às lojas, pela gravadora Dabliú, em uma caixa que embala os títulos Rumo (1981), Rumo aos Antigos (1981), Diletantismo (1983), Caprichoso (1985), Quero Passear (1988, um disco infantil) e Rumo ao Vivo (1992). E também sai um DVD com um show comemorativo realizado em 2004. “É sempre bom saber que esse material está de volta”, diz Tatit, o principal compositor da trupe. “Estamos sempre sendo redescobertos, com muita gente se interessando em saber como eram as coisas naqueles tempos. Alguns críticos falavam que fazíamos música difícil, mas não vejo assim. Era só ver o que acontecia em nossos shows.”

As performances sempre engraçadas do vocalista Geraldo Leite contrastavam com as atuações mais sérias de Tatit e Ná, com “Carnaval do Geraldo” sendo um ponto alto recorrente nas impactantes apresentações ao vivo do Rumo. “É, essa marcou muito”, reflete o cantor. “Em qualquer lugar onde eu vou, posso estar sério, mas logo começam a cantá-la para mim.”