O Rei da Ostentação

Conheça o diretor de clipes KondZilla, que emplacou três vídeos entre os dez mais vistos do YouTube em 2012

Marcos Lauro Publicado em 13/02/2013, às 16h59 - Atualizado às 17h05

KondZilla foi visto por milhões de pessoas na web
Divulgação

Nos últimos dias de dezembro, o YouTube divulgou a lista dos vídeos mais assistidos no Brasil em 2012. E, dentro da lista de dez vídeos, havia três com a assinatura do mesmo diretor de clipes: KondZilla. Ele é Konrad Cunha Dantas, nascido no Guarujá, litoral paulista. A especialidade dele é fazer clipes de funk, mais especificamente de “funk ostentação”, estilo de sucesso não só no litoral, mas também na periferia da capital paulista. Estão lá os carrões importados, motos esportivas e algumas locações são grandes casas com piscina. “Todos nós somos personagens, até eu”, explica o diretor de 24 anos. “A gente trabalha com os sonhos dos outros, de quem ouve o som.”

Konrad perdeu a mãe há quatro anos e, com o dinheiro do seguro de vida dela, comprou uma câmera Canon 5D e veio para São Paulo para fazer cursos de marketing e cinema. “Percebi que não tinha ninguém fazendo bons vídeos de funk”, diz. O que tinha no YouTube era feito por fãs ou parecia slide”, conta.

O clipe mais bem colocado na lista do YouTube é “Onde Eu Chego Paro Tudo”, do MC Boy do Charmes, que fechou o ano na quarta colocação – os outros são “Plaquê de 100”, do MC Guimê, em quinto, e “Como É Bom Ser Vida Loka”, do MC Rodolfinho, em sétimo. “Tem quase R$ 2 milhões nesse vídeo de ‘Onde Eu Chego...’, juntando os carros, jet ski, motos e apartamentos. Isso ainda não tinha acontecido num clipe de funk do Charmes, que já passou das 22 milhões de visualizações no clipe.

A curta carreira de KondZilla já soma 70 vídeos, sendo 55 de funk. Ele trabalha com um orçamento que varia entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. “A gente pergunta a verba que o artista tem e faz o roteiro”, conta. O diretor aposta na qualidade para divulgar o seu trabalho e o dos MCs. "No começo, tive que pegar leve na produção. O público não entenderia uma mudança grande de qualidade. Hoje já é o contrário, o público cobra muito. Precisamos doutrinar quem assiste, ensinar o que é cinema, o que é um vídeo profissional”, diz ele, que teve pelo menos uma figura muito inspiradora: “Trabalhei na produtora do Pico Garcez, que foi para a Bahia, pirou com o axé e começou a fazer clipes usando linguagens que o axé ainda não tinha experimentado. Quero ser o Pico Garcez do funk”. O trabalho mais recente de KondZilla com Pico foi a finalização do clipe de “Água”, de Claudia Leitte.