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Velho Amigo Punk

Imagens de Rui Mendes que registram o auge do movimento punk em São Paulo, nos anos 80, ganham exposição

Paulo Cavalcanti Publicado em 14/02/2013, às 12h58 - Atualizado às 12h59

CENAS DISTINTAS João Gordo transitava entre os dois lados do punk.
RUI MENDES/DIVULGAÇÃO

O punk se expandiu por todo o Brasil, mas São Paulo foi primordial para a consolidação do movimento. Enquanto tudo acontecia nos clubes e em casas noturnas como Napalm, Carbono 14 e Madame Satã, o fotógrafo Rui Mendes cuidava do registro. O material de Mendes será exposto na exposição Punk, na IV Mostra SP de Fotografia, aberta no fim do mês passado no Espaço Revista CULT, onde fica até 23 de fevereiro. Veja fotos da exposição.

“Já venho compilando imagens para o meu livro Música há um bom tempo”, explica o paulistano Mendes. “Tenho todos os meus negativos de 33 anos de profissão em ótimo estado. Aí, caiu a ficha: por que não expor o punk?” Para ele, o estilo não perde a atualidade, apesar de ainda haver discriminação. “Esse preconceito existe ainda hoje, imagine naquele tempo. Os caras sofriam na mão da polícia. Em 1983, os dias da repressão ainda estavam latentes na força policial.”

Ele também recorda a fragmentação da cena punk da época: “Tinha duas distintas: a da periferia era séria e bem mais hardcore, tinha várias bandas que a gente do centro nunca conheceu; e havia a cena mais pop, com as bandas mais palatáveis, como o Inocentes, o Cólera, o Ratos de Porão. Essas também tocavam nos guetos. Mas o Clemente, o Redson e o João Gordo faziam parte da vanguarda do rock dos anos 80. Era tudo uma bagunça – os punks do ABC não se davam com os de Osasco, que não se davam com os da zona norte… E todos tinham rixa com os cabeludos do metal. E todo mundo apanhava da polícia. A porta do Madame Satã era perigosa nas horas de pico – saía muita briga. Porradaria mesmo, às vezes até tiros”.

Ainda assim, Mendes aponta o saldo positivo daquela época nas futuras gerações. “O punk inspirou muita gente. Grupos como Ira!, Mercenárias e toda a cena paulistana dos anos 80”, explica. “Serviu de catarse para uma juventude pobre, simples, da periferia e que saía de anos de repressão. Ajudou, na medida do possível, a diminuir o preconceito contra o diferente, o não inteligível. Foi pouco, mas ajudou.”