No Comando

Em 1991, Jodie Foster, já com um Oscar no currículo, filmava O Silêncio do Inocentes e confessava o significado de permanecer por tantos anos diante dos olhos do público

Gerri Hirshey | Traduç ão: Ana Ban Publicado em 15/03/2013, às 13h56 - Atualizado às 13h58

MISSÃO DE ATRIZ “Represento as pessoas desprivilegiadas que são colocadas de lado”

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"Eu gostei mesmo da cena de Autópsia, de verdade.” Jodie Foster espeta alguns canelones gordos e reluzentes do prato de antepasto e descreve um dia de trabalho satisfatório de seu próximo filme. “Tem um corpo na mesa com mutilações grotescas”, ela diz. “Mas, quanto mais a minha personagem mergulha no trabalho, experimenta uma espécie de – sei que isto vai parecer esquisito – exaltação. Ela quer entrar no crânio do homem que fez isso. Principalmente quando descobre aquela coisa dentro do corpo.”

“Azeite e vinagre, moça?”

O diálogo sobre análise de restos sanguinolentos deixados por um assassino psicopata ocorreu em uma cantina lotada de Manhattan. Jodie toma vinho tinto e fala cheia de conhecimento – e brio – sobre canibalismo, psicoses sexuais e desmembramentos ritualísticos. Os assassinos em série norte-americanos têm deixado a polícia técnica ocupada. Jodie acompanha o assunto. Assim, ela mergulhou na cena de autópsia anteriormente mencionada e em outras igualmente repugnantes no thriller O Silêncio dos Inocentes, do diretor Jonathan Demme. Jodie é Clarice Starling, estagiária do FBI que está se especializando em ciência comportamental. Sua missão é capturar Buffalo Bill (Ted Levine), um criativo assassino serial. Para ajudá-la, é escalado o letal e brilhante Dr. Hannibal Lecter, “o Canibal” (Anthony Hopkins). Silêncio é um filme apavorante, de fazer o espectador suar.

“Jodie é uma estrela muito maior do que se dá conta”, diz Jonathan Kaplan, que a dirigiu em Acusados. “ Mas ninguém pode dizer isso a ela.” Um número suficiente de membros da Academia viu a atriz interpretar uma vítima de estupro coletivo em Acusados – um filme politicamente correto de baixo orçamento rodado no Canadá – para lhe dar o Oscar de melhor atriz em 1988. “Ela tem um número enorme de fãs na Europa”, Kaplan diz. E nos Estados Unidos? “Vá a um festival de cinema com Jodie e algum outro ator que seja a última modinha. Quem fica rodeada de gente é Jodie. As pessoas assistiram ao amadurecimento dela.”

Apesar da performance em Taxi Driver (1976) como a prostituta pré-adolescente Iris também ter lhe rendido uma indicação ao Oscar, foi a dedicação de um fã desse filme, John Hinckley, que a colocou nas manchetes cinco anos depois, quando ele tentou matar o presidente Ronald Reagan em “homenagem” a ela. A cobertura jornalística que se seguiu e o depoimento dela em Washington marcaram um período difícil. Mas Jodie voltou ao trabalho logo depois e tem feito em média um filme por ano. Ela descreve a maior parte deles como coisas fora do mainstream. Jodie nunca esteve na moda, mas se mantém em cartaz. É uma mulher atraente, mas não tem muitos papéis de bonitinha no currículo. Não aparece em páginas de fofoca. Diretores, atores e produtores a descrevem como uma das atrizes mais respeitadas em atividade. Integrantes da equipe técnica admitem que ela é humilde e acessível. Ainda por cima ela é formada em Yale, magma cum laude.

Tudo isso é bacana, mas será que funciona em uma Hollywood que só quer saber de nomes que significam lucros? Ela dá de ombros: “Nos últimos quatro ou cinco anos, não fiz nenhum filme que me foi oferecido”, explica. “É da minha conta conhecer todos os filmes cujo projetos receberam sinal verde. É o meu trabalho.” Quando descobriu que o projeto de Silêncio tinha recebido sinal verde, a atriz diz que precisou brigar para conseguir o papel. Antes de o roteiro estar pronto, fez lobby junto ao roteirista Ted Tally, à Orion Pictures e, mais tarde, a Jonathan Demme, que tinha oferecido o papel primeiro a Michelle Pfeiffer. Para se preparar para Silêncio, tanto Jodie quanto Scott Glenn, que representa seu superior no FBI, passaram um tempo com John Douglas, o maior especialista em assassinos em série da instituição. Ela diz que o enredo era sombrio, sim, mas a parte estranha é a seguinte: “Eu fiquei tão feliz naquele set. Em um filme que é sobre morte e coisas sombrias, Jonathan me ensinou que não é preciso ficar arrasada”.

Este é o discurso de uma mulher que se sente impelida a dizer o que pensa, mas tem certa cautela para não causar danos – a si mesma e aos outros. Sem modéstia, Jodie explicita o que motiva sua arte: “Represento pessoas desprivilegiadas que são tiradas da frente ou colocadas de lado. São colegiais alienadas e adolescentes fugidas, garçonetes de cidadezinhas industriais e pobretonas caipiras de coração duro – gente que não se encaixa na sociedade, e que é mal compreendida”.


“Fui criada a três quarteirões do Hollywood Boulevard”, diz Jodie, descrevendo a rua onde as prostitutas com calças justas de cores berrantes se concentram perto dos pontos de ônibus. Ela sabe qual é a situação dessa gente marginal. Por isso, gosta de colocá-las na telona. A parte mais difícil de Acusados, segundo ela, não foi fazer o papel de vítima, mas sim representar uma heroína imperfeita, que mora em trailer e trabalha duro, que bebe, fuma maconha e gasta o dinheiro das gorjetas que ganha como garçonete para comprar bobagens. Jodie elabora: “Você tem de assumir riscos enormes para criar algo que as pessoas queiram ver. Elas preferem comédia. Só assistem drama se for algo de tirar o fôlego. Você precisa assumir esses riscos ou só vai ser medíocre”. Ela faz careta quando diz a última palavra. Para Jodie, que sempre só tirou 10 na escola, a mediocridade parece guardar mais horrores do que a mesa de autópsia.

“O que está acontecendo aqui?”, Jodie aponta com a cabeça para uma turma barulhenta de gente com casaco de pele saindo do restaurante. São quase 11 da noite, mas as calçadas estão lotadas. “Todo mundo saiu de casa?”, indaga. “Hoje é quarta-feira.” Nesta noite, Manhattan parece tão lapidada quanto quando é vista pela lente de Woody Allen. Ela caminha até a marquise do Carnegie Hall. O casaco bege se abre por cima de uma camisa jeans de trabalho, com um suéter por baixo e calça cáqui. Carrega uma sacola de livros cheia de roteiros e romances.

Ela tem um Oscar na estante, mas nenhuma atitude; tem admiradores psicóticos armados, mas dispensa guarda-costas. Possui um armário cheio de modelos Armani, mas prefere uniformes de trabalho. Depois de ter acabado de estrelar e dirigir seu próprio filme, Mentes Que Brilham, diz que ficou eletrizada em abandonar a sala de edição durante uma semana e ir a Nova York para uma pequena participação em Neblina e Sombras, novo projeto de Woody Allen. “Eu faria qualquer coisa por ele”, ela diz. Ela dá risada, joga um braço na direção do trânsito da 7ª avenida. “Aqui estou eu, a pirralha do cinema da Califórnia”, diz. “Eu fiz... o quê? Quase 30 filmes? Mas ter trabalhado com Scorsese e Woody Allen. Esse é o negócio.” Jodie gosta da Nova York de Allen, falante, reclamona, neurótica. Foi esse papo intelectual da costa leste que a atraiu a Yale, para longe das praias e de suas raízes de Los Angeles.

Finalmente ela chegou à idade certa para fazer os papéis adultos que fazia quando era adolescente. Nessa época, a voz já era profunda e o jeito de andar impetuoso, meio de moleque. Com uma infância tão pública, Jodie Foster parecia uma candidata provável a capas de revistas de fofocas. Jodie fez o primeiro trabalho – um anúncio do bronzeador Coppertone – aos 3 anos, e já era arrimo de família quando aprendeu a assinar o nome em um roteiro. Ao dar início à conversa sobre a infância, observa que não foi normal. “Não dá para me enfiar um modelo de família perfeita garganta abaixo e me dizer para ser feliz, porque não sou eu”, diz. Durante quase duas décadas, ela viu repórteres dissecarem os primeiros anos de sua vida – principalmente a relação com a mãe divorciada e empresária, Evelyn “Brandy” Foster.

Quando fala sobre a infância, ela pode ser séria e freudiana. E pode fazer piadas, do mesmo jeito que sua mãe fazia toda vez que ela perguntava, espertinha: “Ei, cadê o meu pai?” “Concepção imaculada” era a resposta-padrão de Brandy, apesar de Jodie saber que a mãe tinha entrado com o pedido de divórcio antes de se dar conta de que estava grávida dela, o quarto filho do casal. Nascida no Bronx, em uma rígida família alemã, Brandy foi criada em Rockford, Illinois. Na década de 50, foi para Los Angeles, onde se casou com Lucius Foster, oficial da força aérea que se tornou executivo imobiliário. O casamento durou dez anos. Jodie só viu o pai algumas vezes. Ela é bem mais nova que as duas irmãs e o irmão. Os irmãos passavam pelos períodos contumazes de rebelião. Davam festas quando a mãe não estava em casa. O irmão era surfista. As crianças maiores se divertiam. Já Jodie era a boa menina. “Eu era a criança-modelo. Falava três línguas e só tirava 10 na escola, era obediente”, diz. “Eu prestava atenção ao comportamento das pessoas e seu significado. Isso é em parte o que faz de mim uma boa atriz, acho. Minha história é diferente da das outras pessoas. Eu não fui criada dentro do modelo convencional da família norte-americana.”

O que todos parecem deixar passar é a proximidade menos óbvia à mãe. Não é tanto o fato de ela ter sido uma estrela infantil, mas sim o de ter sido uma criança que não tinha pai. “Eu tenho uma relação estranha com ela”, Jodie afirma. “Quando você cria os filhos sozinha, existem arestas e mensagens confusas que outras pessoas não têm”, analisa.


Disso advém o fato, ela conta, de a relação que ela tem com a mãe não ser perfeita. “Nós berramos uma com a outra. Ela diz alguma coisa mesquinha e cruel para mim, e eu digo alguma coisa mesquinha e cruel para ela.” Apesar disso, não é capaz de imaginar a vida sem a mãe estar por perto. “Ela é inteligente e é vivida e tem coisas a me dizer que eu não teria como saber.” Elas ficaram sozinhas a partir dos 10 anos de Jodie, depois que os outros filhos já tinham saído de casa. Moravam na frente do Hollywood Bowl, em uma casa que se destacava entre os bangalôs em tons pastel. Quando Jodie não estava trabalhando, Brandy a pegava na escola – o Lycée Français, de língua francesa – e a levava para ver filmes de Truffaut, Chabrol, Blier, Fellini. Ela tinha um Peugeot, enchia a geladeira com borscht e kimchi coreano e levava as crianças a restaurantes tailandeses, vietnamitas e filipinos.

Apesar de Jodie aparecer com frequência na TV – em comerciais de pasta de dentes Crest, em episódios de My Three Sons e coisas assim –, o pequeno aparelho em preto e branco no quarto da mãe costumava ficar desligado da tomada e era proibido para ela. Jodie diz que não sentia falta. Se Brandy ajudou Jodie a expandir horizontes culturais, também ensinou os filhos a respeitar os limites dos outros. E se forçou a filha famosa a alguma coisa, foi a estudar, já que ela não confiava muito na vida de atriz como escolha de carreira para ganhar a vida. “Eu sempre fico no pé dela”, diz Brandy.

Em relação ao fato de o Conselho do Trabalho ter reclamado da participação de Jodie em Taxi Driver, Brandy diz: “Aquilo me enfureceu. Eu sabia a força moral que ela tinha. Fazia anos e anos que ela trabalhava. E ela sempre foi ensinada que interpretação é a hora de fingir”. Mesmo hoje, o que é de mentirinha pode ficar pesado e Brandy ainda viaja com a filha de vez em quando se a locação do filme for interessante ou se o trabalho for de alta dificuldade. Quando Brandy leu o roteiro de Acusados, chegou à conclusão de que era melhor fazer as malas e voar com Jodie para Vancouver. “A violência naquele filme realmente me deixou preocupada”, ela diz. “Foi arrasador. Ela ficou combalida.”

Ela ficou com Jodie durante a semana em que as cenas de estupro foram filmadas. Depois da conclusão, as duas caminharam em uma pista de 11 quilômetros em um parque próximo. Um ano depois, caminharam juntas pelo corredor entre as fileiras do Shrine Auditorium na noite do Oscar e, quando Jodie fez seu discurso de agradecimento, Brandy ficou lá sentada, agarrada ao braço do neto, enquanto a filha lhe agradecia perante 1 bilhão de pessoas. “Eu quase perdi as estribeiras”, diz Brandy.

Jodie diz que percebeu que atuar era uma arte pela primeira vez em Taxi Driver. Também foi a primeira vez em que ela teve de representar uma personagem “que não era eu”. Não era papel de criança; e ela não sabia nada sobre a vida de uma prostituta de 12 anos chamada Iris. Ela diz que Robert De Niro a ajudou muito: “Ele não me disse nada. Só me pegou, me puxou para dentro da cena. E nós continuamos a fazer aquilo, vez após outra. Até que éramos apenas nós entre toda aquela gente, e ficou perfeito”.

"Dez minutos, Jodie.” “Tudo bem” é a resposta. Tudo bem para a senhorita Foster o fato de que, apesar de ser inverno, o ar-condicionado do camarim dela não pode ser desligado, e o dedão do pé dela estar saindo para fora de sua mais recente meia-calça florida de seda que o figurino inventou. Boa parte da energia de Jodie é gasta garantindo às pessoas que ela está falando a verdade e, às vezes, ela reconhece, insiste tanto, que fica bizarro.


Jodie tentou convencer o mundo de que para ela estava tudo bem e que ela não tinha se abalado ao encarar a obsessão pública de um homem louco. Ela tinha 18 anos, em março de 1981, quando John Hinckley atirou no presidente para conquistar o amor da jovem atriz, e ela deu conta da situação. Jodie organizou entrevistas coletivas à imprensa, reuniu-se com advogados, agentes do FBI e representantes de Yale. Participou de uma peça no campus, como estava programado, enquanto um segundo louco sentado na plateia ponderava se devia matá-la ou não. Ele foi identificado logo depois por meio de uma ameaça de morte por escrito que foi colocada embaixo da porta dela. O maníaco confessou que, depois de tê-la visto na peça, tinha concluído que era bonita demais para ser morta. Agentes federais prenderam Edward Michael Richardson na rodoviária de Nova York. Ele ia para Washington com uma arma carregada, pronto para terminar o que Hinckley tinha deixado pela metade.

“Fria como um pepino” foi como um colega de faculdade descreveu a aluna do 1o ano Jodie Foster para a revista People, que publicou uma reportagem de capa com a manchete: “Yale dá força à caloura Jodie Foster enquanto sua angústia só cresce”. Essa suposta angústia estava relacionada ao fato de os colegas ficarem falando para a People a respeito das roupas relaxadas dela e das aulas que ela perdeu, sobre a mania que ela tinha de comer pizza à noite e sobre seu ganho de peso. As piadas e os comentários sobre Jodie circulavam no campus, em escritórios e em redações de jornais. Jodie até fazia gracinha com isso. Mas, um dia, quando se viu caída em uma calçada de Manhattan com a clavícula machucada, soluçando enquanto um paparazzo que a perseguia gritava “Peguei!”, Jodie compreendeu que as coisas não estavam nada bem. Ela percebeu que queria que a multidão enlouquecida entendesse seus sentimentos. O que mais poderia fazer?

Ela apelou pelo conforto da lógica da linguagem. Durante uma viagem à Alemanha em 1982, escreveu um artigo detalhando suas provações e pensou no que fazer com ele. Jodie procurou a revista Esquire, onde tinha sido estagiária, e pediu ao editor Lee Eisenberg para dar uma olhada. Quando ele ofereceu para comprar o texto “por exorbitantes US$ 800”, ele foi publicado com o título “Why Me?” sob a condição de não haver chamada de capa, nenhuma divulgação ou foto. No fundo, a motivação foi infantil, algo fora do comum para ela. Ela explica, com a voz bem baixinha: “Eu queria que as pessoas soubessem que simplesmente não estava tudo bem. Queria que compreendessem. É por isso que eu atuo. É um tipo de neurose. É estranho sempre precisar ser compreendida e aceita”.

Ela acha que resolveu algumas coisas naquele texto, e diz que isso a marcou. “São coisas que eu carrego no meu trabalho agora”, ela diz. “Isso é o que significa ser uma celebridade em tecnicolor. Afeta minhas relações com as pessoas, minhas atitudes.” Ela se abaixa para mexer em um aquecedor pequeno e ineficiente e aperta o casaquinho de seda em volta do corpo. “Não estou dizendo que seja ruim. É como eu sou.”

Quando não está trabalhando, Jodie passa muito tempo sozinha fazendo coisas mundanas como cozinhar e ir à lavanderia. “O tempo que tenho de folga é o meu tempo de regeneração, e eu sou egoísta”, confessa. Ela não gosta de pensar que é rica nem diferente dos outros. Dirigiu o mesmo Fusca detonado durante anos, morava em um apartamento alugado mais ou menos – apesar de ter comprado uma bela casa para a mãe. Há pouco comprou uma casa no vale de San Fernando, mas continua sem móveis, a não ser uma cama e uma TV de 36 polegadas em cima de uma caixa de papelão. Ter a casa própria fez com que ela aprendesse a gastar dinheiro. Até há pouco, preferia fingir que sua riqueza era distante.

Com um sanduíche de atum no pão integral trazido pelo comissário do estúdio, Jodie fala sobre uma obsessão: intimidade. Ela não divulga seus romances secretos. Essa parte de sua vida é, e sempre foi, fechada. Jodie dá risada e concorda que, sim, a intimidade da vida é transmitida por meio dos menores dos detalhes. “Há algo relativo à intimidade verdadeira que eu preciso ver na tela”, ela diz. “Que eu preciso fazer na tela. Coisas que outras pessoas nunca veem. Mostrar o que é ridículo.” Ela para e escuta a confusão no corredor que assinala o final do horário de almoço. “Existem certos papéis que eu não sou capaz de fazer. Não estão na minha reserva. Passividade verdadeira e absoluta. Não consigo.” Ela é capaz de ser vulnerável e até interpretar uma loira burra. “Mas não sei como gritar e ser sequestrada. Não consigo abordar a fraqueza.”

Ela recolhe todos os restos do almoço e embala tudo direitinho no recipiente de alumínio. Há poucos indícios de que ela ocupou este camarim durante toda a semana, só as roupas que usa na rua jogadas em cima de uma cadeira, uma sacola de livros, um romance e uma trilha de papel de recados telefônicos. Mais uma vez, batem na porta e uma voz abafada diz: “Estamos prontos, Jodie”. “Legal”, ela responde.

Ela se dirige à porta, com o casaquinho de seda da roupa de cena por cima do baby doll, então muda de ideia e volta para pegar o roupão grandalhão. “Eu nunca faço isso”, ela diz enquanto veste o roupão. “Mas, aqui, é preciso atravessar a área de carpintaria. Todos aqueles homens... eles ficam olhando.”

Ela dá de ombros e sai para o corredor.

“Às vezes, simplesmente não é legal.”