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Maria Bethânia grava DVD do show Cartas de Amor, uma ode ao ofício de cantor e um grito de liberdade

Pedro Antunes Publicado em 14/05/2013, às 16h54 - Atualizado às 16h55

Bethânia em ação
taiz dering/divulgação

Maria Bethânia, 66 anos, sabe o que quer dizer e como fazê-lo em seu mais novo DVD e CD, Cartas de Amor, registrado em duas apresentações no carioca Vivo Rio, em 13 e 14 de abril. O álbum, que será lançado em parceria entre a gravadora Biscoito Fino e o Canal Brasil, ainda sem data para chegar às lojas, mostra uma artista diferente, solitária e decidida. Bethânia faz, no palco, um manifesto pela vida e pelo ofício de cantar, uma arte que domina há cinco décadas.

Ela partiu para o espetáculo impulsionada por um disco ousado, o 50º da discografia dela. Oásis de Bethânia (2012) reunia dez produtores para uma dezena de canções. No álbum, mesmo acompanhada por um excelente time de músicos, de Lenine e Hamilton de Holanda a Djavan, ela parecia estar só diante do cantar. Essa foi a proposta levada ao palco. “Funciona como um teatro”, diz Wagner Tiso, que auxiliou a intérprete e a diretora e cenógrafa Bia Lessa em dar homogeneidade aos sabores diversos do show. Tiso, fundamental para a criação da musicalidade do Clube da Esquina, já havia trabalhado com Bethânia no estúdio, mas nunca no palco. “É uma experiência nova para mim. É preciso colorir aquilo que ela quer dizer.”

Gabriel Improta (violão e guitarra), Paulo Dafilin (violão e viola), Jorge Helder (baixo e usual companheiro musical de Bethânia), Pantico Rocha (bateria), Marcelo Costa (percussão) e Marcio Mallard (violoncelo) compõem o grupo de músicos regidos por ele e Bethânia.

O cenário criado por Bia Lessa favorece o vazio. A banda é dividida pela metade, posicionada nos lados do palco. O chão é coberto por um tapete simples, no qual a cantora desliza calmamente e descalça. Lâmpadas descem do alto e formam a única cenografia viva e mutante. “Este show é como um documentário de Bethânia”, diz a diretora. “Em todas as músicas é um mesmo texto que se segue. De alguma forma, ali, ela é compositora das canções. Ela diz: ‘Eu sou assim, ninguém diga para onde eu vou’. É uma afirmação de caminho.”

As palavras estão lá, em algumas canções já famosas no repertório de Bethânia, outras cantadas pela primeira vez nesta turnê, como “A Casa É Sua” (Arnaldo Antunes e Ortinho) e “Estado de Poesia” (Chico César). Mas tudo soa novo e inédito. Bethânia segue sozinha: “Eu só sei que há momentos / Que se casa com canção / De fazer tal casamento / Vive a minha profissão”, ela canta, em versos tão dela quanto de Milton Nascimento e Fernando Brant.