De Porto Alegre a Milão via Barcelona, banda Selton é uma das revelações do indie pop na Itália

De Porto Alegre a Milão via Barcelona, banda Selton é uma das revelações do indie pop na Itália

José Júlio do Espírito Santo Publicado em 11/06/2013, às 14h23 - Atualizado às 14h23

NAVEGAR O Selton saiu do Brasil para conquistar novas terras
andrea raso/divulgação

"Nosso novo disco foi lançado ontem aqui. Logo mais chega o calor”, brinca Ricardo Fischmann, tecladista e guitarrista da banda Selton, se referindo ao vento frio que sopra em Milão, cidade onde mora. “Afinal, na Itália sempre falam que somos a banda do verão.”

Fischmann, Ramiro Levy (guitarra, ukulele e teclado), Eduardo Stein Dechtiar (baixo) e Daniel Plentz (bateria) se conheceram em Porto Alegre e, sem combinar, se reencontraram em Barcelona e resolveram se juntar para fazer música. Montaram o Selton (sem nenhuma influência ou referência ao ator brasileiro de mesmo nome) em 2005. “Nosso primeiro ensaio foi no Parque Güell, com o case do violão aberto para receber ofertas”, Levy conta. “No primeiro dia, já ganhamos uns 30 euros.” A renda veio em progressão aritmética até permitir o financiamento do primeiro CD-demo com as moedas. A oferta de ouro veio, na verdade, quando um produtor da MTV italiana viu os brasileiros tocando covers dos Beatles e os convenceu a gravar na Itália. Banana à Milanesa, álbum de estreia do quarteto, saiu em 2008, cheio de covers em português de sucessos italianos dos anos 60. “Aquele disco foi nosso início na Itália”, Plentz explica. “A gente nem estava esperando nada.” Foi um tiro certo que possibilitou o lançamento de Selton (2010), só com canções em italiano.

Já com críticas altamente positivas na imprensa europeia, o novo disco, Saudade, traz repertório também em inglês e participações especiais (como a de Arto Lindsay em uma versão de “Qui nem Giló”, de Luiz Gonzaga). “Essa música explica um pouco disso que a gente sente”, Dechtiar comenta. “A gente volta para o Brasil pelo menos uma vez por ano. Meu quarto em Porto Alegre nem existe mais. Ao mesmo tempo, não posso dizer que Milão é 100% minha casa. Pode parecer estranho, mas uma das coisas que mais queremos agora é mostrar essa Saudade no Brasil.”