Exclusivo: Mick Jagger e Keith Richards contam como fizeram as pazes para comemorar os 50 anos de Rolling Stones

“Às vezes é fácil apenas tirar da frente, mas acho que foi bom nós termos tido aquela conversa”, diz o cantor, que ficou irritado com as declarações do guitarrista na biografia Vida

Redação Publicado em 06/06/2013, às 13h16 - Atualizado às 14h44

Os Rolling Stones em uma das capas da edição de junho da <i>Rolling Stone Brasil</i>

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Os Rolling Stones estão de volta à estrada, celebrando os 50 anos de carreira com uma turnê pelos Estados Unidos e pela Europa. Mas faltou pouco para que as comemorações fossem soterradas pelos desentendimentos entre Mick Jagger e Keith Richards. Na entrevista que você lê na edição de junho da Rolling Stone Brasil, a banda conta, com exclusividade, como passou por cima de todos os problemas para continuar fazendo música.

Os Stones sempre foram famosos por discordâncias e intrigas, que remontam aos primórdios do grupo. Mas em 2010, a relação entre eles se complicou muito quando Richards publicou a aclamada biografia Vida. Disse coisas brutais sobre a amizade com Jagger e sobre a personalidade do cantor. Jagger ficou ofendido e irritado. Quando a chegada dos cinquentenário da banda foi se aproximando, Richards entrou em contato com os companheiros e disse: “Ei, pessoal, estou ficando irrequieto. Alguém está a fim?” Mas Jagger não estava disposto a perdoar tão fácil os insultos de Vida.

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Desta vez, antes mesmo que pudesse haver qualquer preparação séria para uma turnê – algo que Keith Richards queria que acontecesse –, Mick Jagger deixou claro que precisava haver um acerto de contas. Ron Wood comentou: “As coisas estavam tensas e ruins”. Havia até um boato de que a posição de Richards como guitarrista dos Rolling Stones podia estar a perigo. Alguns achavam que ele estava com dificuldade para tocar – que talvez suas mãos tivessem sido acometidas por artrite ou que seu consumo contínuo de álcool estivesse afetando sua habilidade. De acordo com uma fonte próxima da banda, quando os Rolling Stones se reuniram em Londres, em dezembro de 2011, não foi apenas para ensaiar. Jagger estava de olho para ver se Richards ainda dava conta.

Em meados de abril, o repórter da Rolling Stone Mikal Gilmore passou uma hora com Jagger na suíte de hotel em que ele estava hospedado em Beverly Hills. “Não sei sobre que diabo vamos conversar”, ele disse ao se acomodar em uma cadeira à mesa da sala de jantar. Jagger não se esquivou quando o assunto foi o pedido de desculpas de Keith Richards sobre o que ele escreveu em Vida, embora tenha dito que prefere deixar o assunto para trás. “Bom, acho que foi bom ele ter se encontrado comigo e ter me dito aquilo. Realmente não quero dizer mais nada além disso, mas acho que foi bom ele ter dito e, sim, foi um pré-requisito [para a reunião], na realidade. Essas coisas precisam ser colocadas de um lado; não dá para deixá-las sem ser ditas. Às vezes é fácil apenas tirar da frente, mas acho que foi bom nós termos tido aquela conversa.”

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“Acho que é meio um clichê, de verdade”, Jagger continua. “As pessoas gostam de fazer análises-relâmpago das outras e dizer: ‘Ah, Keith é tão passional, e Mick é tão frio e sem paixão’. Ninguém é assim na vida real. Keith é capaz de ser tão frio e tão sem paixão quanto quase qualquer outra pessoa que eu conheço. Não digo isso como crítica, porque às vezes é necessário ser crítico. Tenho que ver o ponto de vista de outras pessoas. Mas isso não significa que eu não seja passional a respeito do lado musical da coisa. Tenho muitos papéis diferentes dentro da organização Rolling Stones, e depois tenho papéis fora da banda que não têm nada a ver com a banda. Por isso, não quero ser rotulado como uma coisa só.”

Irmãos?

Charlie Watts chegou a dizer que “eles são como irmãos, discutem a respeito do aluguel, e se você entra no meio, pode esquecer”. Isto foi ecoado pelo próprio Richards, que declarou a outra revista que ele e Jagger pareciam “dois irmãos voláteis: quando batem de frente, realmente batem de frente, mas quando termina...” Será que Jagger vê as coisas da mesma maneira? “As pessoas sempre dizem coisas assim”, Jagger responde. “Mas eu tenho um irmão [Chris Jagger], sabia? A minha relação com o meu irmão é uma relação fraternal, e não tem nada a ver com a minha relação com Keith, que é mais parecida com a de alguém com quem se trabalha, completamente diferente. Com um irmão, você tem pais em comum. Nós não temos isso, Keith e eu. Nós trabalhamos juntos. Não tem nada a ver com uma relação fraternal. Suponho que, se você não tiver um irmão, pode dizer que era como ter um irmão. Mas fazer parte de uma banda representa um tipo diferente de relação.”

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A visão de Keith Richards

Em uma entrevista no tapete vermelho para a estreia do filme de show da banda em 2008, Shine a Light, de Martin Scorsese, perguntaram a Richards se ele era capaz de imaginar a vida sem os Rolling Stones. Ele ficou com cara de quem não tinha entendido a pergunta. “Seria fácil”, ele respondeu. E talvez seja verdade – mas, bom, talvez não seja. “Sabemos que somos bons pra caramba”, Richards diz à Rolling Stone, “e temos um certo desejo estranho de fazer com que fique melhor. Todo mundo continua aqui, e esse é obviamente um ingrediente importante. Com qualquer banda que esteja aí há um tempo, mesmo que sejam alguns anos, nem todo mundo gosta de todo mundo o tempo todo. Mas talvez haja uma necessidade de que a conversa continue, e a música é o único jeito de fazer com que isso aconteça. Ela é mais forte do que qualquer outra coisa que possa atrapalhar. Seria um milagre, não é verdade, que dois sujeitos se dessem bem em 50 anos, se isso é difícil até em três ou quatro. Ao mesmo tempo, não quero dar ênfase demasiada às diferenças entre mim e Mick, porque é só disso que se fala. Você nunca escuta falarem sobre cerca de 98% do tempo em que nós estamos em boa sintonia e que nós nos conhecemos bem e que sabemos o que queremos fazer. Mas a minha principal comunicação é por meio da música. Pode chamar de acordo de cavalheiros, ou algo assim. As coisas não são ditas nem mencionadas, mas dá para notar quando nós começamos a trabalhar, e daí muitas das espécies de barreiras, ou como quiser chamar, tendem a desaparecer.”

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A edição de junho da Rolling Stone Brasil chega às bancas a partir de sexta, 7, com duas capas: além dos Rolling Stones, apresentamos uma entrevista exclusiva com o Black Sabbath.