Transitando pela TV e em blockbusters, ator britânico Benedict Cumberbatch coleciona elogios

Paulo Terron Publicado em 11/06/2013, às 14h42 - Atualizado em 14/06/2013, às 14h32

Foco e meditação Cumberbatch aprendeu a se acalmar com os monges budistas tibetanos
ROBERT YAGER

A história de vida do ator Benedict Cumberbatch, 37 anos, pode parecer um prato cheio para comparações com origens de supervilões: filho de pais da classe operária que trabalharam para dar a ele uma educação excepcional, o britânico – entre a escola e a faculdade – tirou um tempo para morar em um monastério budista tibetano em Darjeeling, na Índia. “Ficava no topo de um prédio de uns dez andares, era uma construção antiga convertida”, ele explica, com uma empolgação ainda vívida. “Fui ver uma palestra de uma organização e achei inacreditável: eu poderia morar com os monges, passar seis meses trabalhando, rezando e ensinando também. Eu não conseguia imaginar por que a escola inteira não havia se inscrito naquilo!”

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A experiência de estar sozinho em um país estranho, de cultura tão diferente, ajudou Cumberbatch a desenvolver uma nova maneira de se sustentar, mesmo dentro da profissão. “A solidão é gigante, o que te dá uma amplitude emocional e espiritual muito variada”, explica. “Isso ajuda na atuação. Meditação... Ajuda a focar melhor, a ter uma pureza nas intenções sem se distrair.”

A intenção de seguir a carreira dos pais, que faziam basicamente figuração em teatro e televisão, surgiu desde cedo, quando Cumberbatch teve as primeiras aventuras pelos sets. “Eles tentavam me distanciar disso”, explica, referindo-se à família. “E os bastidores podem ser bem chatos depois de certo tempo – apesar de eu nunca ter pensado assim. Me lembro de uma vez observar a minha mãe conversando com um diretor atrás das cortinas, elas serem abertas e os atores começarem a falar os diálogos sem nem pensar. Achei aquilo muito maluco. Também me lembro de segurar uma lança para a minha avó, eu devia ter 5 ou 6 anos.” Naquele momento, o ator nascido em Londres diz ter percebido a possibilidade de interpretar outras personalidades – como ele faz com o vilão enigmático de Além da Escuridão – Star Trek (que estreia neste mês). “Meus pais devem ter estranhado o sorriso suspeito na minha cara ao segurar aquilo...”

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Em uma história razoavelmente mais comum, a família Cumberbatch não queria ver o jovem Benedict seguindo um caminho de insegurança dentro das artes. “Eles trabalharam duro para me dar uma ótima educação”, diz ele, que estudou na prestigiosa escola particular Harrow, e depois passou pela Universidade de Manchester e pela Academia de Arte Musical e Dramática de Londres. “Eles pensavam que, com isso, eu escolheria qualquer outra profissão – advocacia, arquitetura. Tudo menos atuação. Eles conheciam as armadilhas de se trabalhar nessa área: nunca saber de onde o próximo trabalho virá, o salário instável. Você quer estabilidade para os seus filhos, que eles se deem melhor. Então, queriam me livrar de todo o mal dessa profissão. Mas continuei insistindo.” Os conflitos só terminaram quando o pai, o ator teatral Timothy Carlton, deu o braço a torcer. “Ele me disse: ‘Você é melhor do que eu, e sempre será’. Eu chorei e pensei: ‘Se ele me deu a bênção, preciso continuar’.”

Já atuando na TV, Cumberbatch chamou atenção ao interpretar Stephen Hawking em Hawking (2004), produção da BBC que lhe rendeu diversos prêmios, incluindo um Bafta. Mas foi outro personagem lendário que rompeu fronteiras: na série Sherlock, ele faz o papel-título, em uma elogiada atualização das histórias de Conan Doyle. A terceira temporada da série está em produção e deve estrear neste ano, sendo que o ator defende ferrenhamente a continuidade por outros anos. “Até parece que eu deixaria alguém chegar e pegar o meu lugar... Claro que não!”, conta, rindo. Mesmo assim, a agenda deve apertar um pouco: Cumberbatch tem mais dois filmes de O Hobbitt (no qual fará as vozes do dragão Smaug e de Necromancer) e foi anunciado para Crimson Peak, a próxima produção de Guillermo Del Toro. Além disso, aparecerá em mais dois longas prontos: The Fifth State (no qual interpreta Julian Assange, fundador do WikiLeaks), e August: Osage County (ao lado de Meryl Streep e Julia Roberts).

Perto desse volume de trabalho, resguardar os segredos de Star Trek – como fez por meses – até parece fácil para Cumberbatch. “Eu sou um saco de segredos!”, brinca, para depois lembrar gargalhando o fim de temporada mais recente de Sherlock: “Eu pulo da porra de um prédio e como é que sobrevivo?”