40 anos sem Bruce Lee: as origens e o mestre por trás do mito

Em uma das capas da edição de julho, você fica sabendo como Lee criou o jeet kune do, técnica que o fazia “voar” nas telas dos cinemas

Edgardo Martolio Publicado em 11/07/2013, às 12h35 - Atualizado às 15h47

Bruce Lee na capa da edição de julho da <i>Rolling Stone Brasil</i>

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Na década de 70, quando os blockbusters ainda estava longe de Hollywood, um homem que sabia voar extasiava os espectadores com efeitos especiais naturais. Puro marketing visual que Bruce Lee sabiamente criou. A verdadeira luta que ele aprendeu foi outra, oposta a toda essa acrobacia que encantava os olhos. Pois o kung fu prega a economia de movimentos – nada de piruetas ou extravagâncias. O lutador pode se defender durante horas e, quando ataca, machuca para valer. Mas esse comedimento não é impactante para um filme de ação: mais se parece com uma dança do que com uma briga.

A morte de Bruce Lee comoveu o mundo.

O que Bruce Lee fez foi coreografar cinematograficamente a precisão dos golpes. A indústria do cinema fez o resto. A técnica que ele criou e levou para as telas – a jeet kune do – foi uma pirotecnia da sétima arte. Mas ele foi um lutador de vários estilos – e de todas as artes –, como nenhum outro. Bruce Lee foi o melhor. E, mesmo não sendo exatamente um grande ator, conquistou plateias de todo o planeta. Morreu no auge da fama, com apenas 32 anos, em 20 de julho de 1973.

De origem chinesa, Bruce Lee chegou ao mundo em 27 de novembro de 1940, ano do dragão no calendário chinês – e era chamado de Siu-Lung, que significa “Pequeno Dragão”. Nasceu em São Francisco (Califórnia), quando os pais viajavam em turnê com um circo oriental. Mas morou na China durante a complicada adolescência, em Foshan e na vizinha Hong Kong, cidades-chave na formação dele. Foi nesta última que seu grande mestre, Yip Man, o ensinou o wing chun (ou kung fu), a arte marcial que o tornaria vencedor naquelas ruas violentas e, mais tarde, no cinema mundial.

Conheça as origens do kung fu e do jeet kune do, artes marciais dominadas por Bruce Lee.

Quando criança, Bruce Lee participou de alguns filmes nos Estados Unidos, acompanhando o pai artista. Adolescente, aprendeu a lutar com maestria. Adulto, uniu ambas as paixões e se transformou em uma estrela que batia recordes de bilheteria a cada filme: cinco, incluindo um póstumo. Mas, se houve um lugar fundamental na vida dela, foi Foshan. E a pessoa decisiva nessa história foi o mestre Yip Man.

Foshan é uma cidade tranquila na agitada periferia sudoeste da gigante Guangzhou, província de Guangdong, no sul da China. De qualquer estação de metrô do centro até a de Zumiao não se gasta mais do que meia hora. É interessante pensar que esse trecho de 20 quilômetros foi percorrido muitas vezes pelo maior astro que o Oriente já teve. O trem atravessa diferentes bairros que mostram como a China mistura dois mundos tão opostos: o do frenesi moderno e o da paciência milenar.

Mais de meio século antes de Bruce Lee viver em Foshan, nasceu Yip Man. E a vida logo lhe mostrou a face mais impiedosa, fazendo dele um durão ao estilo chinês. Basta dizer que sobreviveu à ocupação japonesa, na Segunda Guerra, supostamente lutando sozinho contra 22 caratecas japoneses. Essa lenda é lembrada pelos locais e serve para entender o quanto Yip Man aprendeu a se defender. Sim, a se defender, pois esse é o fundamento básico de todas as artes marciais orientais. E, claro, também do wing chun que ele cultuou e fez conhecido em todo o mundo graças ao melhor aluno que teve, Bruce Lee.

A não muito conhecida história de Yip Man, o mestre de Bruce Lee.

Você conhecerá todos os detalhes da relação entre mestre e aprendiz em uma das matérias de capa da edição de julho da Rolling Stone Brasil, nas bancas a partir de sexta, 12 de julho.