Conheça as origens do kung fu e do jeet kune do, artes marciais dominadas por Bruce Lee

Luis Maluf Publicado em 11/07/2013, às 12h29 - Atualizado às 15h56

-

A lenda conta que o Wing Chun foi criado por uma mulher: Ng Mui, uma dos cinco monges sobreviventes da destruição do templo Shao Lin, conhecidos como Os Cinco Antecessores. Hoje, milhões de pessoas treinam wing chun ou wushu, como é chamado em alguns lugares. A herança ruim dessa arte são as lutas de rua, que ainda acontecem para “testar estilos”, o que fere a filosofia marcial e o legado do mestre Yip Man.

40 anos sem Bruce Lee: as origens e o mestre por trás do mito.

O wing chun se distingue “pela economia de movimentos e utilização da estrutura óssea”. O wushu moderno foi criado por Mao Tse-tung nos anos 50, como uma contribuição para a saúde do povo. As bases dele foram os estilos do Shaolin do Norte, mais parecido com o praticado por Bruce Lee. Mao mudou bastante o esporte para transformá-lo em uma atividade mais saudável e apta para todos, não enfatizando o combate, mas o desenvolvimento atlético, capaz de demonstrar o espírito de luta (e não a luta em si). A Federação Internacional de Wushu conta com 77 membros de cinco continentes e, em 1999, foi reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Já o jeet kune do foi uma variação criada pelo próprio Bruce Lee, em Oakland (Califórnia), em 1963. Lee lecionava na academia de luta que comandava, a Wing Chun, mas a comunidade chinesa ficou enfurecida ao saber que uma escola norte-americana ensinava técnicas milenares a não orientais. Então, enviou Wong J. Man, um professor de artes marciais, para uma luta com Lee. Com ele, um controverso ultimato: se Wong vencesse, Lee fecharia as escolas nos Estados Unidos. Foi uma luta privada com poucos espectadores – entre eles estava a esposa de Lee, Linda Emily. O que se sabe é que o desafio foi vencido por Bruce Lee em menos de três minutos. Após o episódio, Lee decidiu aprimorar os conhecimentos nas artes marciais tradicionais chinesas. O motivo: apesar de ter batido facilmente o adversário, ele acreditava que três minutos havia sido tempo demais.

Lee deixou de lado anos de estudo e prática de wing chun e saiu em busca de novas lutas, inclusive o boxe, com o objetivo de desenvolver e aperfeiçoar um estilo próprio. Ele decidiu desenvolver um novo sistema com ênfase em “praticidade, flexibilidade, rapidez e eficiência”. Começou a usar métodos diferentes, como treinamento de peso para ganhar força, corrida de resistência, alongamento para a flexibilidade, e outros que foi adaptando. Lee pretendia se livrar da abordagem oficial das artes marciais e alegava que seu estilo de luta era mais do que uma grande mistura de estilos tradicionais. Segundo ele, era o “estilo sem estilo”, que se adaptava a cada pessoa e a cada corpo.