Emicida e Criolo se unem para DVD celebratório ao vivo, com participação especial de Mano Brown

Tiago Agostini Publicado em 16/07/2013, às 18h42 - Atualizado às 18h42

<b>Em Dupla</b> Criolo e Emicida nos bastidores do show que virou DVD, em São Paulo

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“Acho que era inevitável um registro dessa parceria. Temos uma caminhada paralela.” Emicida reflete sobre seu primeiro lançamento ao lado de Criolo, o DVD Ao Vivo, nas lojas desde o começo deste mês e que une na tela os dois principais atores de uma “reascenção” do rap e do hip-hop no imaginário da cultura nacional. “Gravar um DVD é um sonho”, completa Criolo. “Os caras riam da nossa cara quando a gente falava que cantava rap, e agora estamos aqui.”

Perfil: Alheio ao sucesso, CRIOLO começa a sentir os efeitos de uma carreira promissora que já extrapola o universo do rap.

O caminho dos dois se cruzou em algum momento do final da década passada, quando Emicida ainda frequentava as rinhas de MCs organizadas por Criolo. “Sempre admirei ele, desde os tempos do Pacto Latino [grupo do qual Criolo fez parte]. É um artista autêntico, tem muita magia nas rimas. A gente se trombava pela galeria, mas a primeira vez que trocamos ideia foi na Casa de Hip-Hop de Diadema”, relembra Emicida. Das rinhas, o garoto da zona norte teve um crescimento rápido graças ao esquema de distribuição de guerrilha. “É um cara de muita luta”, diz Criolo. “Sempre me falaram que ele tinha um talento absurdo.”

O DVD tem como base a banda de apoio de Criolo, acrescida de um naipe de metais, um coro e com arranjos criados pelo produtor Daniel Ganjaman para as canções de Emicida. O repertório se divide entre composições dos dois, como “Zica, Vai Lá”, “Rua Augusta” e “Triunfo”, de Emicida, e “Grajauex”, “Bogotá” e “Não Existe Amor em SP”, de Criolo. A participação de vários artistas ganha destaque: Juçara Marçal, do Metá Metá, e Rael fazem parte do coro. Rodrigo Campos sobe com o cavaquinho para injetar suingue em “Linha de Frente”, mas o maior destaque fica por conta de Mano Brown, do Racionais MC’s, que se junta aos dois rappers em “Capítulo 4, Versículo 3” e “Vida Loka I”. Criolo comemora: “Desde que a gente se entende por gente, o Racionais é algo presente, que nos acompanha. O cara [Brown] é um dos maiores escritores do país”. Emicida também ressalta a honra de poder dividir o palco com um ídolo. “Não tem como fugir do Brown. A presença dele e do Rodrigo talvez soe como uma oportunidade de reverenciar esses artistas, dividir esse momento com as pessoas que te inspiram.”

Com carreiras construídas no underground, Criolo e Emicida se uniram a nomes como Andrucha Waddington e Paula Lavigne, que assinam a direção do material, além da Universal, que fará a distribuição do DVD. “É muito tranquilo. As pessoas falavam que estavam a fim de contribuir, então vamos fazer juntos”, analisa Criolo. O projeto só virou um DVD cinco dias antes do show no Espaço das Américas, em setembro de 2012, em São Paulo. Emicida ressalta a importância do diálogo entre dois mundos que muitas vezes ficam separados. “Existe uma birra entre o mercado independente e o formal, quando a gente podia se aproximar, trocar informações e aprender um com o outro para voltar maior”, diz. “Acho que reunimos alguns dos melhores em cada área nessa produção, o time é de seleção.”

Os dois têm certeza de que têm nas mãos um produto importante para a afirmação do rap dentro do cenário nacional. “É uma oportunidade de mostrar que a cultura está viva”, afirma Emicida. Criolo concorda, mas faz questão de não guardar os louros do sucesso apenas para a dupla. “O rap é grande demais para a gente achar que tem um capítulo à parte nele.”

Perfil: nas ruas e nos palcos da vida, Leandro Roque de Oliveira é EMICIDA, o rapper do bem a serviço das causas heróicas.

Criolo e Emicida se preparam agora para divulgar o trabalho em uma pequena turnê, mas ambos já projetam os próximos passos da carreira solo. Emicida tem no forno o primeiro CD, a ser lançado em agosto. Já Criolo não se prende a datas, mas garante que não para de produzir material novo. “Estou sempre compondo, agora depende de conseguir sentar com o Ganjaman e o Marcelo [Cabral, baixista e também produtor de Nó na Orelha], eles são cheios de trabalho. Vamos viver, tem muita coisa acontecendo todos os dias.”