VIDA POP - Arroz de Festa

Carlinhos Brown tentou criar uma mania nacional... mas mania não se impõe!

Miguel Sokol Publicado em 16/07/2013, às 18h04 - Atualizado às 18h05

A caxirola, de novo, só tem o nome. É apenas o velho chocalho, conhecido desde sempre

Ele está em todas para encher a pança dos convidados e invariavelmente sobra: este é o arroz de festa que, ultimamente, também pode ser chamado de Carlinhos Brown. Os Tribalistas voltaram. Voltaram como o David Bowie, depois de mais de uma década em silêncio e em uma data escolhida a dedo. Se o Bowie escolheu lançar a música do retorno no dia do próprio aniversário, os Tribalistas do nosso Carlinhos lançaram um sambinha em apoio ao casamento gay logo após o Dia Internacional Contra a Homofobia. E mais, às vésperas da 17ª edição da Parada do Orgulho Gay, em São Paulo. Mesmo amparada por todas essas festas, a música não emplacou, o pessoal da internet mal comentou e, ao contrário do Bowie, nosso Carlinhos sobrou. Sobrou como o arroz que dá título à música que marca a volta dos Tribalistas. Parece piada, mas, sim, a canção se chama “Joga Arroz”.

Seria só triste, mas é reincidência. Essa foi a segunda sobrada do nosso Carlinhos no mesmo duomilésimo décimo terceiro abençoado ano denosso senhor, porque em abril passado ele surgiu, todo lampeiro, serelepe e faceiro, posando de criador do mais novo tradicional instrumento dos torcedores brasileiros de futebol, a caxirola.

A falta de noção é tão colossal que não sei nem por onde começar a esculhambar... Ele pretendia criar a versão brasileira da vuvuzela? Então faltou alguém avisar que tradição é algo transmitido espontaneamente de geração para geração, não se impõe como ele quis impor naquele fatídico Bavi (Bahia X Vitória) pelo campeonato baiano, quando as caxirolas estrearam no futebol brasileiro sendo arremessadas no gramado, interrompendo a partida.

Equivocado, nosso Carlinhos quis fazer do estádio de futebol um reality show como o The Voice, do qual ele vinha participando como jurado que decide o que faz sucesso e o que não faz. Se o nosso Carlinhos errou no quesito tradição, errou no que se refere a novidade também, pois, de nova, a caxirola tem só o nome. Convenhamos, ela não passa de um chocalho, daqueles que se encontram no rabo da cascavel desde que o mundo é mundo.

Por isso tudo, inevitavelmente eu me pergunto o que tem na cachola o sujeito que se diz inventor da caxirola.E inevitavelmente eu me respondo: arroz.