Voz nacional cultuada no exterior, Bebel Gilberto quer enfim conquistar o Brasil

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 06/09/2013, às 11h59 - Atualizado às 12h00

TUDO LINDO
Bebel Gilberto inspirou Acabou Chorare misturando idiomas na infância
Daryan Dornelles

Quando tinha 5 anos, Bebel Gilberto foi musa da MPB por razões fortuitas. “Papai não queria dirigir sozinho à noite e me levou à casa dos Novos Baianos, em Jacarepaguá”, ela relembra. “Eu estava dormindo, e, quando acordei, caí. Fiz escândalo, saquei que a mamãe não estava, e, chorando, falei: ‘Acabou chorare, acabou chorare’. Eu falava espanhol e português misturado.” Ninguém poderia imaginar na hora, mas dessa frase nasceu um clássico – Acabou Chorare, primeiro álbum do Novos Baianos, de 1972, foi eleito o maior disco brasileiro de todos os tempos pela Rolling Stone Brasil.

Bebel tem ascendência afamada – é nada menos do que filha de João Gilberto e Miúcha, e, de quebra, sobrinha de Chico Buarque. Apesar de cantar desde os 7 anos ao lado dos pais, em programas de TV na década de 70, ela costuma dizer que estreia para valer só se deu quando participou do vocal de “Fora da Ordem”, do álbum Circuladô (1991), de Caetano Veloso. “Minha vida não é nada fácil”, Bebel diz, vestindo jeans e sem maquiagem, refestelada em uma espreguiçadeira da suíte presidencial do Hotel Fasano, em São Paulo. Naquela noite, fez uma apresentação para poucos convidados no mesmo local, para promover o lançamento do álbum In Rio, gravado na Praia do Arpoador.

Nascida em Nova York, Bebel morou em Nova Jersey e na Cidade do México e voltou ao Brasil aos 5 anos. Teve infância e adolescência tipicamente cariocas: fez teatro com a trupe Asdrúbal Trouxe o Trombone e conheceu Cazuza e a turma do nascente Barão Vermelho. A época lhe rendeu o primeiro casamento (com o baixista Dé Palmeira) e quatro composições, feitas em parcerias com Dé e Cazuza, que estão registradas no mini-LP Bebel Gilberto (1986). Em 1991, foi tentar a vida em Nova York. “Papai ajudava, é claro”, diz. Mas teve a sorte de cantar no topo do World Trade Center (“um lugar chiquérrimo”), onde conheceu Marc Hollander, dono da Crammed Discs. Daí nasceu a parceria que gerou Tanto Tempo (2000), que a lançou definitivamente no mercado internacional.

?“Eu estava na lista dos dez mais vendidos em Nova York, ao lado de Madonna, Björk. Fui disco de ouro na Inglaterra, no Japão”, recorda, entusiasmada. Com o ao vivo In Rio no currículo, agora Bebel só quer ser notada por aqui. “Eu não sou indicada a nenhum prêmio no Brasil, só ao Grammy internacional”, diz. “Já está na hora de me considerarem.”